sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Afinal um pouco de paz

Hoje, depois de muitos e muitos dias, finalmente estou experimentando me sentir em paz.
Quase havia me esquecido do quanto essa sensação é prazerosa, tranquila, morna e aconchegante.
Hoje à noite chorei tudo ao lado do meu noivo, consegui explicar o que estava sentindo, sem me fechar, sem provocar ou ser provocada.
Hoje à noite conversei com minha filha e chorei e falei o que precisava para ela entender o que ando sentindo, para explicar a minha falta de paciência e o meu distanciamento.
E falar assim com os dois e me sentir acolhida, entendida e amada, e sentir o amor que sinto por eles me fez tão bem!
Finalmente eu parei de me debater em mim mesma e contra os dois, consegui me abrir, e estou em paz, estamos em paz.
E essa sensação é tão reconfortante!
Se começarei a subir a ladeira, ainda não sei, mas deixei de descer descontroladamente, e isso é uma grande vitória.
Obrigada.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Revolta, ira, raiva? Qualquer porra dessa serve

Reclamar? Me lamentar? Ficar triste? É, continuo com esse perfil. Infelizmente.
Converso, saio, finjo alegria, e tem funcionado, para os outros. Mas não tenho como enganar a mim mesma. Há alguma coisa profundamente errada em mim e embora eu sinta isso com tristeza e com uma enorme vontade de me isolar, não sei precisar o que é.
É tristeza e insegurança e falta de fé, e até desamor. Por quê? Essa é a parte mais difícil.
Minha filha fez certo, saiu há três dias para a casa de uma amiga.
Meu noivo está com sempre, introspectivo, carinhoso, isolado dos outros, se achando gordo e comendo compulsivamente.
E eu? Comendo compulsivamente e pondo a minha vida em risco com isso, deixei de dosar a glicose.
Que o mundo se exploda! De preferência, só comigo.
Minha terapeuta me disse para eu me aprofundar, para eu procurar o que está me deixando assim. Disse que isso é difícil e que dói, mas que eu tenho que sair dos sintomas e me aprofundar nas causas.
Falei para ela que tenho observado as pessoas ao meu redor:
- Minha sogra tem dinheiro de sobra, mas é completamente infeliz.
- Tenho uma amiga que se lamenta o tempo todo porque está sozinha, sem um amor.
- Tenho uma amiga que tem um marido extremamente esforçado para ganhar dinheiro e que está junto com ela para tudo, e ela também é infeliz.
- Tenho um tio que fundou uma empresa importante, que sempre fez tudo que quis na vida e que tem muito sucesso e dinheiro, e que já faliu e que se levantou com mais sucesso ainda, mas também é infeliz.
E por aí vai tantos casos que tenho observado. E minha terapeuta me disse que não encontrarei a resposta fora e nem por comparação, que a resposta para a minha tristeza e infelicidade está dentro de mim, e que devo buscá-la, mesmo com dor.
Examino a minha vida:
- Não tenho dinheiro suficiente para montar uma casa, gostaria muito de ter, mas não tenho. Talvez se minha filha passar no vestibular da federal e eu não tiver que pagar faculdade eu continue com um pouco mais de independência financeira, aí poderíamos nos apertar muito e morarmos sozinhas.
- Não quero ir morar todos por dois anos com minha irmã depois que formos desapropriados, isso é uma saída para meus pais, não para mim. Isso é uma saída desesperada de meus pais, não é justo com eles e comigo que eu me coloque no bolo.
- Meu noivo não tem e acho que jamais terá condições financeiras de arcar comigo com as despesas de uma casa. Acho que ele sempre morará com a mãe dele, eles se dependem financeiramente e emocionalmente. E mesmo sabendo que ele precisaria de ajuda para sair de casa, ela jamais faria isso. E acho que nem ele quer.
- Meu emprego é seguro e paga razoavelmente bem, mas estou longe de me sentir realizada com ele. Ele jamais me dará independência financeira.
- Tive dois abortos em cinco meses. Sonhos e esperanças destruídos, e não sei se será possível engravidar novamente ou ter dinheiro para custear as pesquisar e tratamento. Meu noivo disse que venderia o carro, mas será isso uma solução possível?
- Meu noivo se dá bem com minha filha, mas compete com ela. Ele não entende que eu sou mãe e que tenho responsabilidades, obrigações e amor. Ele compete com ela por minha atenção e muitas vezes quer que eu a coloque de lado e fique com ele. Nessa disputa ele irremediavelmente perderá. Nada se compara a um filho. Nada.
Será que se tudo isso acima estivesse resolvido eu estaria realizada ou feliz? Acho sinceramente que sim, mas sei que isso tudo são fatores e que não conseguirei resolver todos, que tenho que procurar uma razão para seguir e me agarrar a ela.
No momento estou achando tudo uma grande merda.
Minha terapeuta me aconselhou a procurar um psiquiatra para me receitar um remédio para depressão/ansiedade durante um tempo, tempo esse em que devo me aprofundar na latrina do meu cérebro. E me perguntou quase confirmando: mas ideia de morte ou de morrer você não em não, né? Claro que eu respondi que não. Não sinto vontade de me matar.
Mas sabe que, as vezes, morrer naturalmente não soa tão assustador?
Foda-se o mundo só comigo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Não estou gostando de mim assim: reservada, introspectiva, pessimista, ociosa, triste, decepcionada.
Dá vontade de agir, de mudar para melhor, e ao mesmo tempo sinto uma resistência imensa, uma vontade maior ainda de me isolar e ficar quieta deitada.
A insegurança que eu já vinha sentindo e que se juntou com os dois abortos espontâneos em cinco meses me derrubaram.
É muita loucura isso que sinto, é uma sensação de inquietude, de querer ficar imóvel e ao mesmo tempo uma sensação muito ruim de não estar bem dentro de mim mesma.
Estou na terapia, tenho o apoio do meu noivo, tento reagir e as vezes venho conseguindo, mas está foda.
Hoje à noite tenho uma confraternização com três amigas, estou me esforçando para sair de casa. E vou.
Amanhã uma das amigas me chamou para ir a uma cidade próxima e voltar na quinta. Vamos deixar lá a filha dela na casa de amigos. Eu imaginei quinhentas maneiras de não ir, mil motivos desnecessários para não ir. Mas vou. E consegui desmarcar a terapia, que seria amanhã, para a quinta-feira.
Hoje tentei pegar um pouco na monografia, um pouquinho de nada, mas peguei.
Hoje tentei voltar para a dieta, consegui até umas 17h, depois voltei a comer besteiras. Sei que é fundamental voltar, mas deixar de lado essa válvula de escape para todas essas merdas que aconteceram é difícil. Sei que o preço a ser pago será caríssimo, pois já engordei quase cinco quilos em uma semana!!!
Não que estejamos pensando em fazer amor agora, mas isso de fazer amor tem se tornado um problema há seis meses. Há seis meses que não pode, não deve, faz mal, só depois de tal tempo... mas sempre criávamos formas de sentir prazer sem prejudicar a gravidez. Eu adorava fazer amor, sentia muito prazer, e também acho que sabia dar prazer, e agora, não sei se por medo, negação, medo de engravidar, culpa em sentir prazer, nojo e horror do sangue que significa morte, nem beijar meu noivo direito eu estou conseguindo. Ele me garante que é só uma fase, que faz muito pouco tempo, que tive duas perdas importantes em muito pouco tempo. Sinceramente, espero que ele esteja certo, espero voltar a sentir vontade e prazer.
Êta la lá... se correr o bicho pega, se ficar... PORRA, TÁ PHODA!!!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal, e eu me estranhando dentro de mim mesma

Ando louca. Será que vai melhorar? Ainda não sei.
Acho tudo ao meu redor feio. Acho a vida dos outros muito mais feliz que a minha.
Sei que tudo isso são construções só para me sacanear, mas continuo me sacaneando assim mesmo.
O jantar de natal na casa do meu noivo, da metade para o fim foi ótimo. O começo foi difícil.
A parte da família que foi convidada já estava instalada na varando quando chegamos, então, ficamos na sala, eu, meu noivo, o pai dele, minha filha, a mãe dele, sem muita conversa, esperando o momento em que a irmã iria entrar na internet para conversar conosco.
Nesse momento chega o outro ex-marido da minha sogra e fica sem ter onde sentar.

Quando me dou conta: está minha sogra deitada em um quarto com o ex marido ao computador. Ela chorosa porque a filha que mora longe resolveu se separar do marido... ela se colocando no lugar do coitadíssimo do genro (isso mesmo, ela está do lado do genro!), ela se coloca no lugar dele porque acha a situação parecida com quando ela foi abandonada com dois filhos pequenos pelo meu sogro. E coloca a filha no lugar do meu sogro, como se ela estivesse abandonando o esposo (que ela imagina ser ela)... isso é muita viagem!
Num outro quarto estou eu e minha filha deitadas e chegam meu noivo e meu sogro, que também está se sentindo excluído, e ambos começam a falar da separação da família em grupos de conversar etc.
E eu meu acho tão louca! Me vejo como a família Adams recebendo convidados. E chamo os três para irmos nos enturmar lá na sala. Fomos eu, meu noivo e meu sogro, minha filha resolveu ficar deitada.
FINALMENTE A CONVERSA COMEÇA A FLUIR NORMALMENTE!

Com mais uma meia hora meu sogro foi embora, minha filha foi para a casa de uma amiga lá perto conversar, e minha sogra chega chorosa dizendo que está triste porque a filha está abandonando o marido. O que eu podia dizer?
- Sogra, sua filha e sua neta estão bem, vai ficar tudo bem.
E ela:
- Estou muito triste por meu genro, que está sofrendo muito, choramos muito ao telefone esta semana, minha filha o abandonou como o pai dela me abandonou no passado e isso é muito triste.
E o que eu poderia dizer?
- Sogra, ele vai superar tudo isso, claro que vai, e ambos vão viver suas vidas em paz.
Daí, não sei que aconteceu, mas minha sogra voltou para o terraço, e nós também, chegaram mais dois convidados e a noite transcorreu ótima. FINALMENTE!

Eu estou uma pilha vazando, instável, perigosa, na verdade mais perigosa para mim mesma.
Estou achando a minha vida instável, insegura, sem sal. Estou com medo, um medo do futuro, de não ter futuro, de não ter onde morar, de nunca ter independência financeira, mesmo tento alguma.
Olho as pessoas e acho que elas são mais felizes, que têm mais sucesso, que têm mais certezas, e me sinto muito mais insegura.
Estou com dificuldade de enxergar a minha vida e de fazer planos, e de acreditar que sou feliz com a vida que tenho.
Perdi a segunda gravidez. Meu noivo me disse que não me preocupasse, que se for da minha vontade venderemos o carro dele e faremos o tratamento que for necessário. Já me informei com uma amigo que o fez, procurei saber valores. E até acredito que faremos isso. Mas, antes, quando estávamos nos digladiando, falei e ouvi coisas duras e que tiveram apenas o intuito de ferir. Disse que não éramos um núcleo familiar, que ele era apenas meu namorado e assim seria sempre. O magoei. E ouvi que ele tinha muita vontade de ter um filho, mas que queria mais ainda ficar ao meu lado, mesmo sabendo que provavelmente teria que abrir mão de ter um filho, pois achava que não teríamos, e que nem por isso me deixaria. Ele já pediu desculpas, já deixou claro que o intuito foi apenas me magoar e me ferir porque eu o magoei e o feri, mas isso, neste momento de segundo aborto, não sai da minha cabeça. Sinto insegurança e distanciamento.
Tenho medo do futuro e descrença nesse futuro.
Em breve, talvez em seis meses, deveremos ser indenizados pela desapropriação da loja e teremos que sair da casa alugada em que moramos, seremos desapropriados em função de um viaduto para as obras para a copa de 2014.
O que acontecerá? Eu não sei. Soube ontem que o apartamento novo da minha irmã e seu esposo sairá em 2014, e para comprar a fazenda que meu cunhado quer eles precisarão vender o apartamento em que moram. E soube ontem que ela pretende alugar uma casa maior para ficarmos todos nesses dois anos enquanto o apartamento dela não sai. Isso será estranho. E mais que tudo demonstra que será, também, o prazo que terei para tomar coragem e arranjar dinheiro para ter minha própria casa com minha filha. Sinto um nó me apertando o pescoço. Tenho pouco tempo.
Meu relacionamento com minha filha também anda estranho, eu ando estranha. Sei que ela deseja que eu vá para frente mas, neste momento, como? Não sei andar rápido. Cada passo em frente demora demais, só os outros galgam caminhos, eu apenas me movo devagar.
Talvez o caminho seja estudar para outro concurso, talvez seja fazer mestrado para aumentar mais o salário. Em janeiro termino a monografia, devo então tentar o mestrado ou outro concurso?
Seja qual for o caminho, financeiramente estarei sozinha, e ainda não sou forte. Meu noivo, por vários motivos, continuará morando com a mãe dele. Ambos dependem um do outro, financeiramente e afetivamente.
Será que conseguirei ganhar mais? Passar em outro concurso? Fazer um mestrado? Ter outro filho? Sustentar e criar este outro filho? Onde? Dentro da casa dos outros? Terei minha própria casa? Terei meu próprio carro? Conseguirei independência financeira?
Meus passos são muito lentos e os dos outros são de três em três.
Estou com medo.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Compulsão consentida

Iríamos sair para jantar nós três. Desacertos, confusões, acertos, desacertos de novo e, por fim, acertos desacertados, saímos só eu e minha filha.
Há pelo menos seis meses que eu não dava vazão à compulsão. Hoje dei.
E estou sem conseguir dormir até agora, minha barriga está a ponto de explodir.
Há uns 7 meses que não comia sushi, tudo em nome de garantir gravidez saudável e longe de toxoplasmose. Bom, aliás, mau, já que isso não influenciou em nada a permanência da gravidez.
Fiz uma imagem idílica do sabor de sushi, me empanturrei hoje num excelente restaurante, gastei R$85,00, e tudo que senti foi um sabor razoável. De toda forma fui disposta a descontar a raiva, frustração, tristeza e ansiedade na comida. E assim o fiz.
E para completar fomos a uma sorveteria comer petit gateau.
Já cheguei em casa de "bucho" lotado e me sentindo enjoada, aferi a glicose e, claro, deu alta, 135, a maior que já aferi. Mas fui pra aventura pensando: que se exploda o mundo ou eu, se morrer, morri.
Tá, é exagero, pedi à minha endocrino, a que me acompanhou e acompanha durante esses desmantelos que tenho passado, e avisei que iria comer sushi e panetone, que precisava descontar na comida a minha frustração. Ela entendeu e assentiu isso, mas contanto que eu volte à dieta logo após o natal. Tenho certeza de que não era para tanto exagero como eu fiz que ela assentiu mas, paciência, comi sem muito prazer, mas com toda a fúria que achei que devia.
Não estou arrependida. De que adianta?
Minha terapeuta me disse que preciso viver o luto, chorar a perda da minha gestação, e que isso me ajudaria. Chorei muito pouco. Penso: de quê adianta chorar? Isso não trará nada de volta. E assim vou driblando a tristeza. Talvez escondendo coisas em baixo do tapete. E daí? Foda-se eu.
Hoje de manhã iria ser mais uma manhã sombria, então, resolvi começar a organizar o meu quarto, que está completamento "jogado" há meses.
Ao terminar de arrumar de limpar a estante, me senti muito melhor do que se tivesse passado a manhã deitada ou se tivesse chorado. É claro que isso teve um preço: tomei um buscopam composto e um tylenol e as cólicas não me deixaram cochilar direito. Acho que exagerei na atividade.
Amanhã de manhã irei à perícia médica dar entrada na licença. Provavelmente encontrarei o mesmo médico filho duma puta que já falei aqui. O mesmo troglodita que disse que minha gravidez poderia se complicar ou poderia mesmo ser uma mola hidatiforme. Puto de merda.
É isso, procuro desesperadamente me encontrar, procurar a luz...(que ridículo), ainda estou doída, sentida, triste. Mas tento reagir, e reajo. E calma, não estou revoltada contra Deus, não chega a tanto, estou apenas de saco cheio de clichês do tipo: se Ele quis assim..., será para o seu amadurecimento..... e outras merdas.
Depois do natal voltarei à minha dieta, tanto pela diabetes quanto para emagrecer. Sei que não será fácil fechar a compulsão de novo num cofre, com essa liberdade ela cresce em progressão geométrica a cada dia que fica livre.
É isso. Vamos em frente. Ainda capenga, mas me aprumando.
Só não consigo pegar na porra do sono, são uma e quinze da manhã, já tomei dois buscopans compostos e a bosta da cólica não me deixa em paz.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A noite foi difícil, muitas cólicas e coágulos, até que numa hora cansei, coloquei uma colcha dobrada na cama para segurar possíveis manchas de sangue, tomei um rivotril e adormeci.
Passei o dia relativamente bem. Estou uma gangorra de sentimentos, numa hora estou bem, geralmente se estou acompanhada, como quando meu noivo estava aqui, noutras me sinto completamente vazia, como agora. Sem rumo, sem ter o que fazer, sem ter o que pensar. Sem alegria, também sem desespero ou tristeza. Simplesmente vazia, ociosa.
Sou capaz de enxergar perspectivas, planos, mas os vejo distantes, no futuro, e agora aqui no quarto estou sozinha, estou faltando a mim mesma.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Abortamento, de novo



Ontem à noite depois do choro fui dormir com pontadas de cólicas. Me tranquilizei rezando, pedi que me ajudassem para eu me acalmar e pedi ajuda para conseguir entregar a Deus a minha sensação ruim e conseguir adormecer.
Acordei depois da meia noite e senti minha calcinha molhada, achei que era xixi. Me levantei e fui ao banheiro, havia bastante sangue na calcinha e quando me sentei senti que saiu um grande coágulo.
Liguei na mesma hora para meu noivo, em menos de dez minutos ele estava na minha casa para me ajudar. Foi extremamente amoroso e prestativo, ele sempre é assim nas horas difíceis e até mesmo na maioria das horas. E assim deixamos de lado qualquer desavença e nós fomos juntos ao hospital.
No hospital eu fui atendida pela obstetra e ela passou uma ultrassonografia. Na hora de me levantar para ir fazê-la senti outro grande coágulo saindo, então ela me acompanhou ao banheiro e vendo o que acontecia resolveu analisar o colo do útero com um toque.
Colo fechado e bastantes coágulos mais.
A ultra deu o resultado temido: o saco gestacional ainda estava lá, mas não se viam batimentos cardíacos e o embrião tornou-se um material amorfo a ser expulso.
Ainda na segunda anterior, dia 12, estava lá tudo ótimo, nosso filhote com 6 semanas e um dia e com batimentos cardíacos. Hoje de madrugada, dia 19, a ultra denunciando 6 semanas e 4 dias, e o diagnóstico de abortamento inevitável em curso. Passamos a madrugada e o dia no hospital. Saímos de lá no final da tarde.
Nunca pensei em minha vida, nunca mesmo, que um dia teria um aborto, muito menos dois abortos em seis meses. Isso é estranho e assustador.
Permanecerei de licença, ainda há sangue e coágulos para sair. O médico me disse que se houver sangramento intenso de novo é para voltar ao hospital. A partir de hoje entrarei de licença médica por um motivo que eu adoraria não precisa entrar, mas isso não estava sob nosso controle. Paciência.
Ter o apoio de meu noivo, sentir todo o seu amor me dizendo que sou o amor de sua vida, e que juntos enfrentaremos isso também me deu tanta força!
Sobre o que havíamos discutido antes, ele me pediu desculpas, disse que tinha sido egoísta, e eu pedi para revermos isso juntos, em outro momento. E ele me disse que sim, que ambos havíamos dito coisas duras e desnecessárias um ao outro, mas que sabemos que esses momentos passam e que nos amamos.
Neste momento não estou nem um tico feliz, mas estou serena. Acabou-se um longo período de espera e incerteza. A verdade revelou-se.
Conversei por telefone três vezes com minha médica, no começo de janeiro temos consulta marcada, eu e minha filha.
Na minha consulta eu e meu noivo vamos conversar sobre o que ela disse, sobre fazermos exames genéticos para avaliar o que está acontecendo.
Não tenho a menor ideia se a vida nos dará uma nova chance ou se teremos tempo para tentar novamente ter nosso filho. Não sabemos.
De uma coisa temos total certeza: vamos tocar nossa vida em frente. Juntos.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Muito medo e insegurança

Acabei de ter outro pequeno sangramento.
Senti umas cólicas finas, as mesmas que antecedem a um pequeno sangramento, e quando fui ver dessa vez tinha até sujado um pouco a calcinha.
Estou me sentindo tão insegura!
Ainda terei que esperar mais uma semana para saber se tudo está bem. É muito tempo para se esperar.
Descontei no choro.
Vou dormir.

Medo e raiva

Acho que amanhã vou pedir à minha terapeuta para adiantar o atendimento. Estou esticada, confusa, triste, decepcionada e com medo. Uma mistura assim é de derrubar elefante.
Estou cansada de estar em casa e esperar, esperar. Continuo tendo pequenos sangramentos, tive duas vezes ontem, e isso coloca lá em baixo o meu ânimo e me deixa ansiosa quanto à evolução normal da gestação. Tenho medo. E a próxima ultra ainda será dia 26, até lá é esperar. Ainda estou de férias, elas acabariam dia 20, mas tenho direito a cinco dias de recesso no final do ano, depois terei que pagar as horas, mas vou usar esse tempo para ficar em repouso até o dia da ultra. E se continuar o sangramento não sei se poderei voltar a trabalhar no dia 27, mas isso é o que menos me angustia, a insegurança sobre a estabilidade da minha gravidez me deixa triste.
Anteontem fui ver o nascimento da filha de minha prima, seu segundo filho. Na ultra da translucência nucal havia dado uma pequena alteração, mas as ultras seguintes descartaram qualquer problema. Então, totalmente inesperado foi o descobrimento na hora do parto que sua filhinha tem síndrome de down. Havia uma festa preparada na suite, que foi cancelada por pedido de minha prima, que disse que queria ficar sozinha com o esposo. Claro, após a choro vem a total aceitação e proteção com a nova filhota, que precisará ficar pelo menos mais uma semana na UTI. Graças a Deus o tônus muscular dela é excelente e também não há comprometimento cardíaco. Ela está protegida e é amada, e veio em uma família com condições financeiras de ajudá-la a desenvolver suas potencialidades com acompanhamento adequado.
Claro que tenho medo de ter um bebê com algum sintoma genético diferente, minha idade traz risco sobre isso, mas procuro não pensar no assunto. Gostaria apenas que os sangramentos cessassem e que minha gravidez se estabilizasse.
Estou em repouso há mais de três semanas, e estar em casa não é lá animador. O dia inteiro dentro do quarto e com uma única incumbência chata: fazer a monografia.
Meu noivo é muito solicitado para resolver coisas e deixar pessoas, ele faz as vezes de pai do irmão dele, sem ser, pois seu meio irmão tem mãe e pai capazes e presentes, é também pai do pai e da mãe, que vivem pedindo que ele resolva tanto coisas importantes quando coisas idiotas. A mãe dele manda que ele marque seus médicos, mesmo tendo um celular e um telefone convencional à mão, pede para ele comprar sanduiche, quando pode ligar e esperar em casa, pede para ele fazer suco, o pai pede para ele comprar cigarros mesmo com a barraca sendo na esquina de sua casa. Seu irmão tem um pai presente e uma mãe totalmente capazes, mas era ele quem pegava no cursinho. Ou seja, mesmo resmungão e reclamando, ele é babá e faz papéis que não lhe pertencem.
Um dos papéis que não lhe pertence, mas que nessas três semanas de repouso ele fez umas duas ou três vezes na semana, foi pegar ou buscar a minha filha.
Ele sempre fala que somos um núcleo familiar, mas hoje vejo claramente que não é isso. Todas as vezes que ele precisou buscar ou levar a minha filha comigo ele reclamou e reclama. Eu tento mostrar que ela é minha filha, e que eu sempre terei que buscá-la ou levá-la em algum lugar, já que ela não dirige ainda e nem tem carro.
Ele reclama, mas faz, mas isso de reclamar eu não aguento mais. Na verdade, não somos núcleo familiar de porra nenhuma. Ele é meu namorado e acabou-se. Será meu eterno namorado. E quando, se Deus quiser, tivermos esse filho, dividiremos as responsabilidades porque é o que é certo e ponto. Eu e minha filha somos um núcleo familiar, sempre fomos uma família dentro da minha família. Meu noivo é meu namorado, com ele terei um filho e formaremos um novo núcleo familiar dentro de nossas famílias. Assim, terei um núcleo com minhas filhas (acho que será uma menina) e outro com ele e nossa filha.
Ele dizia que eu, minha filha e ele formávamos um núcleo familiar, mas não é verdade, ele faz, mas na verdade se sente incomodado e usado, tanto quanto se sente em relação aos favores idiotas para os quais é solicitado em sua família, quando temos que pegar ou levar minha filha com suas amigas em algum lugar.
Talvez ele adquira maturidade com a paternidade, espero que sim. Espero que ele entenda que entre pais, como entre mim e os pais das amigas de minha filha, sempre existirá essa troca de amabilidades, favores e responsabilidades: um leva, outro traz, outro ajuda, uma vez é necessário ir pegar também as amigas, assim como noutras vezes alguém vem pegar a minha filha em casa. Isso é ser mãe. E se ele não entende isso, ou se entende e sempre reclama, porque quase sempre isso acontece no final de semana, quando estamos juntos, ele simplesmente não entende o que é ser pai. Talvez um dia amadureça e entenda que isso não é um dos muitos favores idiotas para os quais ele é solicitado pela família dele.
Eu tenho uma filha, ela é minha responsabilidade, isso é uma fato. E se ele quiser permanecer comigo, entenda isso.
Ele diz que é natural reclamar, que ele é resmungão e sempre reclama de tudo, e que desde que se viu dirigindo que faz favores a todos. Ele ainda não entendeu que isso é minha obrigação de mãe, que não é um favor dele estar do meu lado nessas horas, isso é o ônus de qualquer homem que queira estar ao meu lado.
Ele afirma que reclama e reclama mas sempre vai e faz. É verdade, mas eu estou cansada. Não preciso disso. Na verdade, agora estou precisando, mas não quero mais.
Não preciso disso e não que isso para mim.
Ele que continue a servir de secretário para quem ele quiser. Se ele não entendeu que esse não é o papel que ele exercia comigo, mas que apenas ele participava porque nos final de semana estamos juntos, nada posso fazer por ele.
Por mim posso fazer e vou fazer, ser autosuficiente, como sempre fui, nesse aspecto.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

VIDA!


Acabo de chegar da ultra-sonografia, vimos o embrião e ouvimos os batimentos cardíacos.
Estou tão feliz!
Meu bebezinho é minúsculo e só tem seis semanas e um dia, e é tão amado e desejado!
Obrigada, meu Bom Deus e Anjos Amigos, obrigada por tudo, e desculpem a minha ansiedade.
Amém.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Hoje fiz outro beta e deu crescimento normal!
Graças a Deus!
Hoje de manhã pedi tanto por isso! Pedi a Deus que fosse feita a vontade Dele, assim com também pedi que entendesse que para mim era impossível não pedir que estivesse tudo bem e que fosse só um susto.
Agora vejo que fazer esses betas não me fez bem, eu não deveria ter pedido requisições a outros médicos (minha médica não concordava com os exames, diz serem desnecessários), deveria ter escutado a minha médica e ter relaxado e esperado a ultrassonografia.
Mas me diz, com o histórico anterior de abortamento espontâneo na sexta semana (a mesma que estou agora), como eu conseguiria completar três semanas de repouso e perdendo sangue, mesmo que mínimo, sem se descabelar?
De ontem para hoje meu noivo foi o melhor companheiro que eu poderia ter, ele sempre é, mas de ontem para hoje ele foi mágico.
Obrigada, meu lindo, obrigada, meu Deus e anjos amigos.
Talvez o médico perito auditor estivesse certo, e eu, tão otimista, seja uma idiota.
Estou com medo, estou com muito medo e angústia.
É uma sensação que não me deixa ter paz, não me deixa sossegar.
É verdade em que há momentos em que tento e consigo me distrair, mas a sensação e os pensamentos estão aqui, a cada segundo.
Estou na sexta semana de gravidez, a mesma em que tive o aborto espontâneo na gestação passada, e isso por si só me deixaria alerta, mas não é só isso.
O sangramento de ontem foi diferente, foi mais marrom e espesso, igual ao que aconteceu antes de eu abortar.
O bhcg teve um crescimento ruim, aumentou pouco em relação ao de três dias atrás.
Estou com medo, misturada, confusa, angustiada.
Meu noivo está incondicionalmente ao meu lado, tenta me alegrar, as vezes consegue, mas é tão difícil não submergir!
Minha médica me disse docemente que nada se podia fazer a não ser esperar, que todos os medicamentos estão sendo tomados, que aguardasse com calma a ultra do dia 12.
Estou tão perdida!
Não estou pronta para reviver uma experiência como a que vivi, é muito doloroso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Médico perito auditor

Ontem fui levar meu atestado de 8 dias ao médico da perícia do meu trabalho. Pedi à minha médica para me dar apenas 8 dias de licença, do dia 23 (quando iniciou-se o sangramento) até o dia 30, pois entrei de férias 20 dias, do dia 1 ao dia 20.
Esse médico auditor tentou dar uma de sabichão dono na lei, da ordem e do poder, depois tentou dar uma de amigão e benevolente, como se estivesse me ajudando, mas na verdade ele acabou sendo um troglodita.

- Para dizer que eu não deveria ter entrado de férias, mas sim estendido a licença até 30 dias e só depois entrar de férias, ele disse que se eu voltasse das férias e precisasse de licença logo eu iria me complicar, pois o caso teria que ser passado para a reitoria, pois muitas pessoas emendam férias em licença apenas para receber o dinheiro das férias.
Respondi que isso não fazia sentido, que eu já havia tirado 10 dias de férias em outubro e já havia recebido as férias, que em dezembro não havia mais férias a receber.

- Ele reafirmou que minha gravidez é de risco e que eu posso precisar de mais dias e que vou me complicar com isso, pois eu estou agindo de boa-fé, mas a maioria não age assim.
Respondi que em caso de qualquer dúvida os exames mostrariam que estou com razão e que agi de boa-fé, mostrariam que apenas eu não quis tirar mais dias de licença porque tenho 20 dias de férias para tirar até o final de dezembro.
Respondi ainda que tudo daria certo, que não havia porque as coisas darem errado e eu ter que emendar mais licença nas férias.

- Ele disse que eu não tinha como ter certeza disso, pois minha gravidez poderia muito bem ser uma mola hidatiforme, que quando eu fosse fazer a próxima ultrasonografia poderiam muito bem serem vistas as vesículas... e eu poderia me complicar em ter que pedir mais licença e o médico auditor poderia não ser ele...
E eu respondi, ainda mantendo a calma, que não seria nada disso, que tudo daria certo e que eu não precisaria de licença assim que voltasse imediatamente das férias.

Quando saí de lá ainda passei na minha sala para deixar a cópia dos documentos, e ouvi de minha colega de trabalho: se você precisar de licença é só voltar a trabalhar um ou dois dias e depois entrar de licença, mas não vai dar nada errado. Dei um cheiro na cabeça dela e fui para o carro me encontrar com meu pai.

Entrei no carro e, estirando o dedo, disse:
- Médico filho duma puta, quem vai ter mola hidatiforme é a tua mãe!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Esperança

Passamos o dia ontem em médicos, eu e meu noivo.
Na ultrasonografia está tudo bem, não há área de descolamento do saco gestacional.
Estou com cinco semanas, uma semana a menos que os cálculos, por isso não deu para ouvir batimentos cardíacos e nem deu para ver o embrião.
Os hormônios estão ajustados, não há deficiência hormonal.
O bhcg teve um ótimo crescimento.
Minha médica examinou o colo do útero, não há pólipo ou nada que justifique o sangramento. Ontem ainda aconteceu duas vezes.
Resultado: mais 15 dias de repouso (até a próxima ultrasonografia, dia 12). E proibido terminantemente dirigir e trabalhar e fazer amor, e sair de casa, só por extrema necessidade.
Como não há nada que justifique o sangramento, ela disse que só se sentirá sossegada quando ver o embrião e os batimentos cardíacos.
Até lá é esperar e esperar e esperar.
Como disse meu pai: - Filha, ela está certa, sua gravidez está no fio da navalha, e ela está batalhando com você para tudo dar certo.
Estou na última disciplina da pós, as cinco aulas começam hoje. Não irei hoje. Na quinta pedi à minha médica que me deixasse ir, meu noivo irá dirigindo para mim e eu ficarei a aula toda sentada. Depois é voltar para casa e me deitar de novo.
Fora isso, é ter paciência, ter fé de que tudo dará certo e esperar.
Por ter vencido a primeira batalha, a da primeira ultrasonografia, obrigada meu bom Deus e anjos amigos!

domingo, 27 de novembro de 2011

Tou com medo. Tou com um medo da PORRA!!!
Desculpem o palavrão, mas QUE MEDO DA GOITANA, DO CARALHO, MEDO FILHO DUMA PUTA!
Amanhã eu retiro essa merda que escrevi, mas agora preciso estravasar.
PORRA PORRA PORRA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Se meu bhcg dobra a cada 48h, porque sinto cólicas do lado esquerdo? E porque ainda perco essa quantidade mínima de sangue?
Já pesquisei na internet, já ouvi a opinião de minha irmã e dela sobre suas amigas que também passaram por isso e está tudo bem. Mas depois de cinco dias em repouso e perdendo essa mínima quantidade de sangue e tomando buscopan para as cólicas, estou ansiosa e irritável. E ainda tenho que tentar passar tranquilidade para minha filha, que fará o segundo dia do vestibular amanhã.
Hoje de manhã minha mãe clolocou uma mesa bem bonita de café da manhã, meu pai foi levar minha filha, eu conversei com ela e desejei boa prova, meu noivo foi buscá-la. Tudo certinho e unido e bonito. Mas agora estou uma pilha, estou com medo.
Sei que eu e minha família, e meu noivo, necessariamente (como ele mesmo disse) não precisamos de um filho para sermos felizes. Já somos felizes, com ou sem um filho, e se não pudermos tê-lo no futuro adotaremos uma criança. E eu também sei disso.
Só que eu estou tão feliz com essa nova benção da gravidez! E não esperava que houvesse essas cólicas com perda de sangue, mesmo que mínimo e esporádico, e hoje também aconteceu.
Amanhã farei a ultrasonografia, provelmente serei atendida por volta de uma hora da tarde. Até lá e esperar e esperar e esperar. É, eu sei, já esperei cinco dias, só que amanhã está muito longe.
Desejo muito que tudo esteja bem com meu bebê. Desejo muito muito!!!
Já andei pesquisando na internet até sobre gravidez ectópica, por causa das cólicas do lado esquerdo. Não tenho medo de cirurgia, gostaria apenas que não fosse isso e nem fosse um princípio de aborto, gostaria muito.
Gostaria muito de ouvir o coraçãozinho do feto batendo bem forte amanhã!
Seja o que Ele quiser, tentarei me resignar ao que for de sua vontade.
Meus anjos amigos, me desculpem o desabafo.

sábado, 26 de novembro de 2011

Fé e um tico de apreensão


Terça à noite cheguei em casa cansada e com um pouco de cólica, quando fui ao banheiro vi que tinha um pouquinho de sangue rosado no papel. Liguei para minha obstetra, que me receitou repouso absoluto.
Na quinta e na sexta eu estaria num seminário que me ajudaria muito na monografia, desmarquei a minha ida e o responsável prometeu que me ajudará quando eu estiver melhor. Ele foi um doce.
Desse vez eu sinto uma certa apreensão, é claro, mas sinto também uma fé e certeza tranquila de que está tudo bem. E, de fato, tenho acompanhado desde terça o crescimento do bhcg e ele continua dobrando normalmente a cada dois dias. Amanhã farei outro.
Tenho uma forte intuição de que essas perdas desse sangue clarinho, que nem chegam a sujar a calcinha, serão resolvidos apenas com respouso, que ainda estou nele.
Segunda-feira farei a primeira ultrasonografia, a das seis semanas, e espero ouvir o coraçãozinho do meu bebê batendo bem forte.
Embora as vezes fique apreeensiva, tenho fé que dará tudo certo e que esta gravidez evoluirá normalmente.
Espero com ansiedade e confiança o resultado do bhcg de amanhã, e quero logo que a segunda-feira chegue e mande embora todo o restante das minha dúvidas.
Obrigada, meu bom Deus e anjos amigos.

domingo, 20 de novembro de 2011

Eu falei mal de alguém? Eu????
Não me lembro!
E se alguém me lembrar, eu nego! NEGO VEEMENTEMENTE!
E mais, se um dia eu falar, só eu poderei falar.
Eu nunca arenguei com com meu noivo na minha vida!
Eu amo minha filhota, meu noivo e meu(minha) filhotinho(a) mais que tudo nesse mundo e em qualquer outro que possa existir.
Estou muito feliz e realizada.
O meu única problema é que sou dramática ao extremo. Ainda bem que passa. Passou.
Obrigada, meu bom Deus e anjos amigos.

sábado, 19 de novembro de 2011

Engraçado, engraçado não, estranho, triste.
Estou só, eu e minha gravidez, neste momento.
Sei que isso é muito exagero, mas é assim que me sinto agora.
Sei que minha irmã acredita que tudo dará certo, eu também acredito nisso. Minha irmã, de fato, e a única que coloca fé.
Minha filha está preocupada com o vestibular e ao mesmo tempo que está presente sei que ela não quer apostar ou colocar expectativas agora.
Ele, o pai, pai? É. Disse que, de fato, apesar de estar feliz. Feliz? É. Não quer colocar expectativas para depois não se decepcionar. Disse que não quer criar as mesmas expectativas de antes, e nem quer ficar eufórico ao ver um ser minúsculo que nem um feto é ainda. E admitiu que está muito envolvido e preocupado com a mãe dele e com a separação da irmã dele para pensar com alegria na gravidez. Não tivemos um único momento sozinhos nesses três dias. Tento entender esse momento dramático em suas vidas, mas estou sem paciência. Com eles é sempre tudo triste, confuso e irritante.
Com as outras pessoas que conversei, outras que perderam uma gestação no início, duas amigas de trabalho e também a minha dermatologista, todas elas engravidaram de novo em dois ou três meses, o mesmo que aconteceu comigo, e todas estão com seus filhos agora. Porque comigo seria diferente? Por que? Não vai ser, tenho fé nisso.
E eu me basto. Já me bastei antes. Saberei me bastar de novo.
Preciso apenas de mim mesma.
Sei que não estou sozinha. Mesmo assim preciso apenas de mim mesma.
Não quero participação em nada, hoje o que tenho em meu pensamento é que quero resolver tudo sozinha. Médicos, remédios, ultrasonografia. Não quero urucas ao meu lado.
Estou só e muito bem acompanhada.
Estou puta da vida e triste.
Deus me perdoe, mas neste momento desejo, egoistamente, que ele se dane.

PENSAMENTOS E DECISÕES

Essa nova gravidez, tão desejada, é claro que me deixa com um pouco de apreensão, com vontade que dê tudo certo, mas estou melhor que a anterior, em paz comigo mesma, estou resiliente, tentando encontrar força e segurança acima de tudo em mim mesma e, claro, com confiança total em Deus e em meus anjos amigos. Tento com isso não depender dos problemas estarem maiores ou menores ao meu redor para eu me sentir tranquila. E estou conseguindo.

Ontem exagerei no trabalho, quis terminar de digitar um monte de documentos e tive uma dor de cabeça intensa, uma enxaqueca, daquelas que dá vontade de vomitar, não deu para chegar em casa, falei com meu noivo e parei lá mesmo para me deitar e tomar um analgésico.
Lá o clima estava ruim, a mãe dele foi ao médico e apesar de a biopsia dos nódulos não ter saído ainda, o médico disse a ela que acredita tratar-se de metástase do câncer de mama de 15 anos atrás. Ela chorou e se trancou no quarto.
Por outro lado, a irmã dele, que mora no Canadá, irá se separar e, depois de meu noivo esperar um mês com a irmã dizendo que precisa de apoio psicológico e de meu noivo tentar amenizar a barra dela porque a mãe dele não tinha condições ou estabilidade emocional para saber, ele resolveu contar. E a mãe dele ficou com raiva dele! Disse que ele deveria saber que ela não estava em condições emocionais para saber de uma coisa dessas.
Pedi a ele que não contasse sobre a gravidez a ela, mas ontem ele contou, disse que precisava dizer uma coisa boa para ela se apegar naquele monte de mar de merdas acontecendo. Na hora fiquei irritada, mas depois passou. Foi bom para ela saber, e ela concordou em não espalhar a notícia. Isso também passou. Espero de coração que ela consiga se curar com tranquilidade e esperança, sem a agonia e o descontrole da cirurgia. Gosto realmente dela, apenas não quero me misturar nos seus problemas e assimilá-los, não posso e não quero perder a minha serenidade.
Eu não consigo entender isso, não consigo entender essas e outras coisas. Não entendo a mãe dele, já restabelecida da cirurgia, ficar no quarto gritando que quer um suco ou chamando os filhos para servi-la na cama.
Também não me interessa entender agora.

Na terapia da quarta ouvi da minha terapeuta que apesar de eu dizer que me sinto ferver por dentro, eu passo tranquilidade e discernimento, que eu consigo analisar as coisas que acontecem e que consigo associá-las com emoções e acontecimento antigos etc. E que sou muito importante na vida de meu noivo, que o ajudo a enxergar a realidade e sair dos sofrimentos criados pelos pensamentos. Ela frisou também que não era para eu me sentir responsável por isso, que isso acontecia naturalmente, e que eu o estava ajudando.
Gostei de ter ouvido isso. Sei que com ele umas vezes tenho toda a razão, em tantas outras, não tenho, mas está tudo bem. Acredito que nos melhoramos, nós fazemos bem um ao outro.
Mas nesse momento, tão especial em minha vida, em nossas vidas, eu quero me apoiar e encontrar paz principalmente dentro de mim mesma. E graças a Deus estou conseguindo.

Hoje de manhã me magoou o que ouvi de minha mãe, mas já assimilei e já está passando.
Há três dias, quando contei que estou grávida, avisei que precisaria me ausentar da loja no sábado por algumas semanas. Painho e mainha ouviram e aceitaram e inclusive concordaram comigo sobre poucas pessoas saberem sobre a gravidez até que ela se estabilize.
Tenho um irmão que todos os sábados folga, ele ainda está desempregado e conseguiu um bom bico como engenheiro do trabalho, é só uma vez por semana. No restante ele trabalha duas ou três horas por dia na loja. Se meus pais irão pedir a meu irmão para ajudar na loja, isso não é problema meu.
Eu trabalho quarenta horas por semana, trabalho na loja nos sábados e estou com uma monografia para fazer, então, preciso baixar o ritmo por causa da gravidez, por isso avisei que precisaria me ausentar da loja até a gravidez se estabilizar. E eles haviam concordado comigo no dia em que contei.
Hoje de manhã, tomando café, minha mãe pergunta se eu irei para a loja(!) na hora do almoço, e eu respondi que não.
E ouvi uma coisa que me deixou estupefata;
- POSSO SABER PORQUE? Ela falou bem calma. E eu entrei no banheiro, respirei fundo, voltei para a sala e respondi, também bem calma.
- Porque eu estou tomando remédios para diabetes, tireóide, hipertensão e progesterona, estou com uma carga de trabalho alta, e se eu trabalhar aos sábados terei que escrever a monografia no domingo, e vou continuar com o mesmo ritmo de antes da gravidez, emendando uma semana na outra. A minha médica disse que eu tenho que baixar o ritmo até a gravidez se estabilizar, eu estou com quatro semanas e ela se estabilizará por volta das doze semanas.
E ela respondeu.
- CERTO, ESTÁ CERTO.
E isso ficou ecoando durante um pequeno tempo em minha cabeça, querendo causar revolta, mágoa e ressentimento. Mas consegui controlar e passou.
Ainda esta semana ela estava, lá da praia, me chamando no telefone de meu amor, o que sempre me causa estranhamento, isso só acontece quando eu estou fazendo algo para ela. Tudo porque trabalhei sábado passado o dia todo e na segunda, dia do meu feriado de funcionário federal, também trabalhei para que eles ficassem na praia até terça.
Cansei de esperar uma aceitação que nunca virá. Sempre serei culpada ou tenho que pagar por algo, só que não tenho, não devo, e já estou totalmente consciente disso.
Sem inveja da irmã que amo, estou cansada de, se minha irmã espirra, minha mãe diz que ela precisa descansar porque está esgotada, que minha irmã precisa de ajuda, de atenção. Amo minha irmã, mas isso não interfere em enxergar a forma doentia com que minha mãe se relaciona comigo. Desde pequena me sinto excluída por ela, não sei se porque sou a mais velha e segundo contam meu pai chegava correndo do trabalho para ficar comigo.
Lembro sem raiva que na gravidez passada houve um sábado em que fiquei na loja inclusive com um funcionário a menos. E também lembro que na gravidez passada abortei espontaneamente na quinta-feira, e no sábado todos ficaram esperando que eu fosse para a loja, até que eu disse que não iria pois não teria como encarar os clientes que me querem bem perguntando pela gravidez. E além do mais, havia perdido bastante sangue no aborto. Foi necessário que eu dissesse que não ia! E quando eu disse que não ia percebi que todos estavam esperando que eu fosse!

Sei que toda e qualquer família tem podres, a minha, a sua. E sei que tenho uma família muito boa, apesar de algumas merdas, as vezes grandes.

Só que eu mudei. A experiência enterior me fortaleceu. Em primeiro lugar eu e em segundo também eu, pois minha saúde, tranquilidade e segurança serão essenciais nessa gravidez. Sei que a gravidez anterior provavelmente não evoluiu por alguma anomalia cromossômica, mas quanto à minha saúde, vou ajudar pra que tudo dê certo nesta nova e tão desejada oportunidade. No que depender de mim minha gravidez correrá da forma mais tranquila e saudável possivel.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Abençoada


Acabo de olhar na internet: estou grávida. EU ESTOU GRÁVIDA!
Obrigada, meu bom Deus e anjos amigos! Muito obrigada.
Minha sensação é de serenidade, de paz.
Mesmo com todas as dúvidas e medos, eu tinha uma forte impressão de que engravidaria de novo, e que dessa vez daria tudo certo. E aconteceu.
Ainda está muito no comecinho, algo em torno de uma ou duas semanas.
Desde que fizemos amor várias vezes durante o período fértil eu achava que iria engravidar, mas ficava com receio de acreditar e não ser verdade.
Depois desse período, há duas semanas, nos dias 3 a 6 viajamos, andei a cavalo, fiz esforço físico, ainda ontem caí quando minha cadela cruzou rápido meu caminho.
Semana passada fiz um beta, ainda antes da menstruação atrasar, na quinta-feira, e deu negativo.
Era porque ainda não havia acontecido a implantação do embrião no útero, pesquisei na internet.
Minha menstruação deveria ter chegado dia 14, mas não veio, nos dias 12 e 13 tive um sangramento mínimo, achei que era prenúncio da menstruação, mas na verdade deve ter sido a implantação do embrião no útero. Que lindo!
Agora estou aqui, oito quilos mais magra e mais saudável, feliz da vida com a gravidez de um lindo amor na minha barriga. E tenho muita fé, quase uma certeza, de que tudo dará certo. E sou muito grata por isso.
Hoje estou com dois dias de atraso e resolvi comprar um teste de farmácia, por coincidência hoje eu e meu noivo ficamos abraçados um tempão na casa dele, e resolvi fazer lá o teste. E mostrei para ele, analisamos a segunda listrinha quase apagada, achamos que era melhor esperar e não acreditar que eu havia engravidado tão rápido.
Saí da casa dele para pegar minha filhota no cursinho e ela notou que eu estava diferente, contei a ela. Fomos juntas hoje à noite ao laboratório que funciona num hospital e fiz novo beta, eram umas 20h.
Acabo de olhar na internet o resultado positivo, fiquei tão feliz e serena!
Estou aqui, em paz, minha filhota dormindo comigo na minha cama, meu filhote se desenvolvendo em mim, meu amor dormindo na casa dele e amanhã vamos comemorar juntos, com serenidade e paz.
Obrigada, obrigada de todo coração, meu bom Deus e espíritos amigos, que a cada dia tenho mais certeza da religião que abraçarei, e que já tenho tanta fé.
Obrigada, estou em paz.

domingo, 13 de novembro de 2011

Sempre conversamos sobre isso. Estar afastados nos afeta muito, o dia perde a cor, fica insosso.
Hoje ouvi dele:
- Puxa vida, sempre penso que é uma bobagem a gente brigar, se tudo o que quero é passar o resto de minha vida ao seu lado.
E depois de 10 minutos de conversa ao telefone ele chega aqui em casa.
E o mundo fico no lugar certo de novo.
Ambos somos muito dramáticos e sabemos disso.
Então porque todas as vezes é assim? Porque todas as vezes que brigamos ambos damos um passei no limbo?
Não sei, talvez para sempre nos lembrarmos que nos amamos e que só isso importa.
Estávamos conversando ele, eu e minha filha hoje na mesa, e eu disse isso, que nós dois ficamos muito tristes quando nos desentendemos. E ele concordou plenamente.
E minha filha comentou que eu fico calada e triste.
E ele disse que não era isso que ele queria, que ele me queria forte, mesmo que fosse para ser mais dura com ele.
Disse que podia se aproveitar por saber que eu o amo, e que ele me ama, mas que o nosso amor não precisa desses jogos, que ele me quer feliz e segura de mim.
Eu o amo, mais que tudo. E sou amada na mesma intensidade.
Posso me sentir insegura quanto a isso algumas vezes, o que é errado, ele sempre diz que mesmo quando estamos sem nos entender jamais pensa que deixei de amá-lo ou que ele deixou de me amar.
Ambos somos emotivos e dramáticos algumas vezes. E sempre retornamos ao equilíbrio.
Viva nós!
Ontem e hoje estamos só eu e minha filha em casa. Com o esquema de segurança que fizemos estamos sem medo e estarmos apenas nós duas está sendo tão bom! Adoro a companhia da minha filha, nos damos muito bem.
Se há três pessoas no mundo que eu tenho certeza que minha alma tem afinidade são minha filha, meu noivo e meu pai.
E como disse minha filha agora há pouco enquanto passeávamos com os cachorros:
- É tão bom não estar só no mundo!
E ela me deu um abraço e beijo deliciosos enquanto disse isso.
Tive muita benção, vim ao mundo muito bem acompanhada.
Obrigada, meu bom Deus.

sábado, 12 de novembro de 2011

Acordei cansada, a noite e a cama me incomodaram o juízo.
A noite me ofuscava, a cama tinha espinhos.
É exagero, sou exagerada.
Ontem à noite, depois de trabalhar demais durante o dia, peguei minha filha no curso e fomos ao supermercado e compramos algumas comidas. E conversamos.
Em casa estamos sozinhas, todo o restante viajou, e pela primeira vez dormimos sozinhas em casa. Não adiantava irmos dormir na casa de meu noivo, ele está muito irritado com a irritação da mãe dele em que ele se mistura, e eu só quero ficar em paz. Se tenho alguma culpa em não estarmos bem? Devo ter sim, ele disse que eu não tive a paciência de esperar ele chorar, e que eu deveria ter esperado, ao invés de dizer para ele tentar racionalizar o que era real do que era fantasia feita com medo.
Eu deveria ter esperado? Se não esperei não foi por maldade ou impaciência, acho que foi por proteção. O mesma ação que faria ao ver minha filha sofrendo por algo que só é um monstro na cabeça dela.
Não sei, sinceramente. Talvez deva sim me afastar e dar a ele o direito de embarcar no sentimento que ele quiser. Farei isso, ou tentarei, afinal, ele não entendeu nada e além de atropelá-lo ainda retrucou como se eu estivesse atacando sua mãe. E isso eu não fiz. Eu a respeito e quero o bem dela, e querer o bem dela não significa entrar no redemoinho de sofrimento e revolta ao seu redor.
Encostei um móvel da porta fechada. Umas 22h30 não me aguentava mais em pé e dormimos.
Acordei 5h40 para abrir a loja para os funcionários, me sentindo mais cansada do que fui dormir.
Deixei minha filha no curso, tomei café, dei uma volta com os cachorros e desabei, me deitei, sem dormir, mas numa imensa sonolência, por duas horas.
Acho que são as confusões desnecessárias, juntando com cansaço e muita tpm, que estão me deixando assim.
Vou agora para a loja já com a idéia fixa de chegar no final da tarde e poder dormir um longo sono.
De noite pegarei minha filha e voltaremos para casa, aí será melhor, conversaremos um pouco, certamente ela verá seriado no computador e eu tentarei começar a voltar a pegar na monografia.
Acho que estou ficando velha, bem velhinha, pois li agora há pouco que a velhice é um estado de cansaço.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Sexta-feira, mas poderia ser des-sexta-feira

Hoje eu estou cansada. Absolutamente cansada.
Ontem foi uma noite extremamente estressante. Manter a calma e tentar repassar isso num momento em que tudo ao redor é só desordem e desequilíbrio, cansa muito.
Cristo Rei, estou tão cansada!
Cansada de desvarios e desequilíbrios, meus e principalmente dos outros.
Sei que minha sogra tem todos os motivos para estar com medo, sei também que não há maldade, mas apenas desequilíbrio, em suas ações. Mas esses desvarios, mudanças bruscas de direção, desequilíbrios, me afetam, e muito, afeta a todos. Tudo ao seu redor vira uma confusão irritante e triste.
Faço um esforço imenso para me manter neutra, mas me afeta profundamente.
Por outro lado, pela enésima vez, meu noivo (meu eterno noivo) está todo misturado, irritado, confuso. Ele não consegue apenas apoiar com relativa tranquilidade, muitas vezes sua cabeça funciona de forma idêntica à da mãe dele: confusa, amendrontada, exagerada. E então ele fica arredio, triste, chato, confuso, distante, e se volta contra mim, e me pede desculpas, e se volta contra mim, e me pede desculpas.
E eu tento ser tranquila e serena, tento fazer companhia e tolerar e aguentar.
E estou cansada. Exausta.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Viagem maravilhosa, e as velhas nóias na volta.

Nosso final de semana foi perfeito, maravilhoso.
Viajamos por quatro dias para um hotel fazenda no interior, nos divertimos, namoramos, passeamos, andamos de cavalo, pegamos uma estrada com neblina e muito chuva, vimos cachoeira, andamos mais de duas horas e meia no meio da lama porque o carro não chegava na cachoeira por causa da pista enlameada, nos acabamos de rir com um homem que desceu e subiu o caminho na lama segurando sua sacola com duas garrafas de pinga e uma quentinha que voltou toda amarrotada (pense num homem obstinado!), ficamos abraçados, algumas vezes em silêncio, só curtindo a natureza e a presença um do outro, conhecemos uma nova cidade. Ficamos juntinhos só nós dois, sem deixar que qualquer problemas ocupasse espaço.
Foram as minhas primeiras férias de verdade, com direito a viagem e tudo mais. E foram só 8 dias de férias! Em dezembro terei mais 20 e viajaremos para a praia!
Quero sempre me dar a esse direito: o de ter férias. É reconfortante, maravilhoso e necessário.
Chegamos ontem à noite.
É engraçado e esquisito, hoje de manhã se apoderou de mim uma enorme ansiedade, ansiedade e medo. Não entendo, estava tudo tão quietinho!
Hoje de manhã todos os medos vieram me visitar, e eu fui tentando racionalizar cada um deles, diminuindo-os, dobrando-os, encarando-os, e agora eles começam a voltar a um tamanho... aceitável?
É, essa minha mente é muito fértil e traiçoeira, algumas vezes é minha melhor amiga, noutras serve apenas de palco para construções desnecessárias e boicotadoras.
Não posso viver sem ela, então, vivemos numa constante queda de braço.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

FÉRIAS!

Estou de férias 10 dias! Viva!
Tá, na verdade sete dias, pois resolvi que posso precisar de sair do trabalho pra resolver coisas da monografia, então, combinei com meu chefe de voltar na segunda e utilizar esses 3 dias quando precisar.
E vou viajar daqui a pouco para um hotel fazenda juntamente com my love.
Deus do céu, como estou precisando disso!
Estava conversando com minha filha hoje da manhã, nós duas rindo de como estamos nos sentindo esticadas, tensas, eu por causas que nem sei, péra, eu sei: ela por causa do vestibular, eu por causa monografia (que mal acabei de conseguir alinhavar, já estou tensa por outros motivos), dificuldade de conseguir todos os dados que acho que preciso, insegurança da loja de meus pais, que deve ser dasapropriada daqui para o meio do próximo ano, pois construirão um túnel no local, vontade de engravidar, ter que perder mais peso, finalmente minha sogra resolveu (eu torço que realmente ela se cuide e que não fuja de novo) fazer a biopsia do fígado, e se o resultado for positivo a tensão na casa de meu noivo subirá a níveis estratosféricos, ter que manter a calma e apoiar ambos etc etc etc.
Estou me sentindo esticada, tensa, mas pelo menos não estou triste. Ainda bem que sou capaz de sorrir da minha tensão e ansiedade. E em função dessa tensão tem acontecido uns esquecimentos curiosos, coisas que não fazem parte das minhas prioridades estão facílimas de serem esquecidas. Paciência, vamos em frente.
Minha sogra disse que me quer no quarto com ela, antes da cirurgia, pois sou calma e a acalmo. Sou assim mesmo, pelo menos é o que pensa quem está fora de mim. Por dentro eu fervo! Por dentro sou algumas vezes um poço de ansiedade, mas consigo disfarçar. E também há anos deixei de ser tímida, sei sorrir e fazer sorrir. Só não consigo disfarçar minha tensão para mim mesma, para a minha filha e para o meu noivo e, as vezes, para o meu pai.
O que há de bom é que este permanente estado de tensão não está me dominando, tenho consciência dele e muitas vezes consigo vê-lo e me divertir com ele.
Esta semana eu vinha com minha filha, tinha pegado ela no cursinho, quando vejo um velhinho curvado sobre sacos de lixo comendo o que encontrou lá, os sacos estavam na calçada um dos maiores hospitais públicos aqui da cidade.
Olhar aquilo me deu um pena imensa da situação dele.
Na mala do carro havia biscoito que eu tinha comparado para minha filha levar para as aulas. Paramos o carro mais adiante e fomos perguntar se ele os queria.
Debruçado sobre o lixo ele demorou segundos para assimilar que falávamos com ele, e respondeu que queria sim os biscoitos, e agradeceu. Naquele momento eu gostaria de poder tirá-lo para sempre dali. Prestar atenção em pessoas que o mundo não enxerga e ver a situação em que se encontram incomoda, é mais fácil se fechar em nossos próprios problemas e superdimensioná-los para que a nossa dor anestesie a compaixão pela dor dos outros. Mas isso não está certo.
E a situação dele me fez ver o quanto meus problemas são pequenos, nenhum passa por carência nos itens necessários à sobrevivência. Aliás, nem precisei pensar nisso, minha filha que falou essa conclusão enquanto eu chegava a ela ao mesmo tempo.
E combinamos de nos esquematizar para participar como voluntárias em algum movimento social. Ajudar com dinheiro ou comida ocasionalmente, é muito pouco.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Voada fenomenal


Até agora me pergunto onde diabos eu estava com a cabeça!
Sábado passado, dia 22, fiz uns exames para levar para a minha endocrino.
Na segunda me lembrei de olhar na internet os resultados já prontos.
E quando olhei a progesterona: 22,2! E eu, péra péra: EU ESTOU GRÁVIDA???
Avaliei o exame pra lá e pra cá... é, eu tinha feito amor na sexta e quando fiz o exame no sábado já tinha engravidado??? Mas minha menstruação não tinha vindo há pouco tempo, ainda dia 15, então dia 21 eu engravidei e dia 22 já estava com 22,2???
Meu chefe estava no micro ao meu lado e minha curiosidade foi tanta que mostrei a ele, que é médico e tranquilo.
Ele achou que não, embora a progesterona estivesse alta, podia ser o período lúteo.
E eu fiquei sossegada? NÃO.
Liguei para a secretária da minha médica!
Expliquei a ela o que estava acontecendo e fiquei de ligar em uma hora para obter a opinião da minha obstetra/ginecologista.
E a resposta? Nâo, Mulher, não tem como definir o que é ainda, você deve esperar mais tempo.
E só. Continuei confusa.
Agora seria a vez de ligar para minha irmã e conversar com ela!
Minha irmã também achou estranho o valor da progesterona, daí eu passei na casa dela e peguei a requisição para fazer um beta hcg dois dias depois.
Fiz o beta na quinta seguinte, de manhã. E quando pego o resultado negativo e estou indo para casa...
UM MONTE DE PENSAMENTOS, FINALMENTE CONEXOS, ME INVADIRAM!
Meu Deus!!! É tão lógico!
EU ABRI OS EXAMES ERRADOS NA INTERNET! ABRI OS EXAMES QUE A MÉDICA PASSOU EM AGOSTO, QUANDO EU ESTAVA GRÁVIDA!!!
E depois me lembrei que não havia feito amor na sexta, mas sim no domingo! Então, como poderia estar grávida no exame de progesterona do sábado? Era impossível! E impossível porque dia 15 minha menstruação chegou e de lá até o dia 23 não havíamos feito amor outras vezes! (aqui deixo uma ressalva: nunca passamos tanto tempo sem fazer amor, mas praticamente não tivemos tempo juntos neste período, pois eu trabalhei de dia e ele teve um curso à noite... pronto, tesão e sexualidade garantidos e explicados...)
MULHER MUITHO LOUCA!!!
Fui para casa rindo de me acabar!
Contei minha abestalhação para minha filha e para meu noivo, e rimos juntos.
Pensei no monte de maus entendidos e vi que, trabalhando e preocupada com a monografia, me distrai e não pensei racionalmente. Errei, e isso foi bobo e engraçado.
Então resolvi, finalmente, enfrentar sentar para começar a escrever o monstro da monografia, e ela é menos monstruosa do que pensei. Talvez dê trabalho conseguir os documentos que preciso, pois apesar de serem públicos, preciso da ajuda de um secretária que está com dificuldades de arranjar tempo para me receber. Mas dará certo.
Meu período fértil veio no tempo certo, nas datas de sempre, logo após a confusão, o que significa que meu ciclo está totalmente normal. E que significa também que, sem estresse, podemos sentir prazer e ao mesmo tempo, quem sabe, receber a benção de ficar grávida novamente. Sinto que isso vai acontecer, e que será uma gravidez muito tranquila.
Hoje começam minhas férias, 10 dias. Em dezembro terei mais 20 dias.
Pretendo escrever mais páginas da monografia e, na quinta, viajar com meu lindo para um hotel no campo! Que feliz! Ficaremos lá até domingo.
Sim, não posso esquecer de registrar que minha filhota continua se esforçando para passar no vestibular da federal e que sua nota no ENEM, pela correção do gabarito, será boa.
Obrigada, meu bom Deus, obrigada!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

De bom humor de novo


Ixi, com esse título parece que tava com mau humor e na maior fossa.
Tava? TAVA. Estive lá, MAS ESTOU DE VOLTA!
Passei por maus bocados de agosto para cá. Perder um bebê, mesmo que ainda um feto, mexeu comigo, achei que ia demorar mais tempo sem conseguir me trazer de volta, mas pelo meu bom humor nos últimos dias tenho certeza de que tou ficando boa de novo.
É tão deliciosamente gostoso estar de volta em mim mesma!
Isso está meio melodramático, mas faz parte.
Não me lembro se disse aqui, mas decidi fazer terapia (já faz um mês que comecei) e estava querendo deixar, pois estava sem gostar da minha terapeuta, encontrando defeitos nela, até que com a ajuda dela, claro, ficou tranparente para mim que isso é uma forma de defesa e uma construção mental minha, cujas raízes eu sei exatamente onde estão, inclusive eu disse a ela que sabia de que experiência isso vinha. Conversamos e ela foi extremamente receptiva, pela primeira vez desde que eu comecei a ir para ela eu consegui enxergar o quanto ela é competente, pois me ajudou a ver os pontos que eu não conseguia, e ao mesmo tempo deixou bem claro que respeitaria a minha decisão e me ajudaria a encontrar outra pessoa na equipe.
E acordei. Foi a primeria vez que a terapia desfez um nó, e isso dá um alívio! Desfazer mitos, antes tão sólidos, é tão bom! E, de repente, ver uma verdade que você achava que era universal, embora só atrapalhasse, ser desmistificada, é como dar um enorme passo de libertação de amarras que eu mesma construi e das quais dificilmente me libertaria sem ajuda.
Chichê? Isso não tem preço! Desfazer construções mentais que só atrapalhavam é libertador.
Hoje conversei com um e com outro, fiz graça, me diverti, senti prazer em estar trabalhando, senti prazer em estar na minha vida! Finalmente me reconquistei!!!
ÔBA!
Obrigada, meu bom Deus e adoráveis anjos amigos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sem ressaca!!!

Dormi bem, incrivelmente, dormi bem!
Depois de umas horas de noite na maior orgia alimentar: EU DORMI BEM!!!
Acordei de manhã sem saber porque achava que deveria ter dormido mal, aí fui forçando os pensamentos até me lembrar do porque: PORQUE EU HAVIA COMIDO ENLOUQUECIDAMENTE.
Mas também acordei bem. NADA COMO ACORDAR BEM QUANDO VOCÊ TINHA ACHADO QUE IA ACORDAR MISERÁVEL E COM AUTOPIEDADE!
Pois é, estou bem, ESTOU BEM E VIVA!!! UEBAAA!!!
E com muita vontade de voltar e continuar na minha dietinha!
EU ESTOU COM VONTADE DE CONTINUAR A DIETA!!! PÉRA!
Será que eu morri de hiperglicemia e gula e só estou bem assim porque é meu espírito que está vivo?
NÃO, MULHERZINHA BOBA, É VOCÊ MESMA QUE ESTÁ LÚCIDA E TRANQUILA. (pelo menos até agora... ÔÔÔÔ olha o pessimismo!... manda ele embora hoje, deixa ele se instalar não!)
É, EU, MULHER COM ÊME BEM MAIÚSCULO, VOU SEGURAR ESTA PORRA DESTA DIETA HOJE.
E TENHO DITO.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Passando mal de tanto comer


Estou de "bucho" distendido, doendo muito. Comi demais, demais mesmo. Comi mais do que cabia.
Comi tudo o que não podia e não devia.
E agora estou assim: tão dolorida que conto cada minuto para que essa sensação de dor diminua.
AH COMPULSÃO! FILHA DUMA..!!!
A maldita compulsão chegou e tomou todas as minhas armas contra ela, e eu, mais maldita ainda, comi que nem uma desesperada.
(e ainda tem um docinho de um casamento escondido no fundo da geladeira, e se eu disser que mais tarde não o comerei estarei mentindo)
Comi comi comi, almoço, salgado e doces, broa, doce, pão, carne, docinho de casamento, tudo tudo tudo que me faz mal e que deixa meus sonhos bem distantes de mim eu comi.
E agora estou aqui, com dor e ainda pensando que quando essa dor melhorar ainda tem o maldito docinho me esperando no fundo da geladeira.
Quê que aconteceu comigo? Nada, só o tudo de sempre.
Me entreguei sem reservas à compulsão.
E o medicamento para diabetes? Já tomei, e já aferi a glicose também, está tudo sob controle, sob o controle do remédio, porque o meu achou que era feriado.
E olhe que minha menstruação já chegou, e que logo depois dela vou poder liberar para engravidar novamente, conforme me disse a obstetra. Então, fisiologicamente está tudo caminhado certo comigo.
E olhe que ontem eu fui de volta a cardiologista especialista em gestação e ela decidiu continuar com a metildopa para a pressão, pois disse que não adianta mexer ou mudar agora já que eu quero engravidar de novo e não tenho que esperar muito por causa da minha idade.
Lá pelo final da consulta ela me perguntou se eu estava triste, acho que porque sempre sou tranquila e serena, e eu respondi que não, que estava apenas me sentindo cansada. E cheguei no carro tive uma crise de choro.
Por que? Acho que nem sei, acho que é porque estou indo sempre nos mesmos médicos que há um mês ia por causa da gravidez.
Será? Sei lá, vai ver sou supersensível e demoro para superar dramas pessoais.

Meu humor está voltando um tiquinho, acho que é porque o bucho está com a dor diminuindo.
Hoje tou triste não, tou compulsiva, e só.
E né que a dor diminuiu? Ao docinho da geladeira!
E que o bom senso se dane (ele já se danou desde a tarde). E olhe que meu amor esteve aqui e ficamos juntinhos e fiz lanchinho para nós, tudo light, diet, com pontos e calorias contados e analisados. Mas foi ele sair pela porta da frente que a compulsão me assaltou pela de trás.
Mas, grilo, meu grilo falante do bom senso, não me abandone, só me dê uma folga, amanhã estarei viva (eu espero) e me sentindo péssima, gorda, feia e culpada, e doida, e mais doida ainda para encontrá-lo de novo ao meu lado.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Matar uma cobra, ou quase


Estávamos eu e my love na casa de praia (ou quase casa) quando uma ENORME, ou quase ENORME cobra apareceu no murinho do terraço. Pense num furdunço!
A cobra tinha uns.................. tá, ela tinha 1,5 m mais ou menos. QUE SUSTO!
Confusão vai e vem, ele correu , pegou um serrote e bateu na cobra.
E eu tentando desesperadamente lembrar das aulas de ciências: cabeça pequena e triangular, rabo que afina de vez: ERA UMA COBRA VENENOSA, UMA PERIGOSA COBRA VENENOSA!!!
E ali, no nosso terraço!
Corri e procurei uma arma, encontrei uma madeira comprida do berço do meu sobrinho, que estava para ser montado. E bati nela, com medo e fúria.
E ela se soltou dos cobongós e fugiu para o terreno da casa do vizinho, que não tinha ido neste final de semana.
QUE MEDO, MEDO MEDO MEDO, MEDO, ME... DO, ME... DO, DÓ, DÓ, DÓ, DÓ, DÓ da pobre cobra que machucamos por medo.
No outro dia contamos ao caseiro sobre a cobra venenosa que havia fugido.
Ele perguntou como era a cobra e dissemos. E ele:
- Pelo que vocês disseram é uma salamandra, uma cobra grande mas que não é venenosa, não.
E eu:
- Pobre cobra, pobre cobra!!!
E foi tanta a culpa que tive pesadelo com ela à noite, ela me dizia:
- POR QUÊ? POR QUÊ?
- PORQUE VOCÊ ME MACHUCOU? EU SÓ ESTAVA CURIOSA E QUERIA OLHAR!
- POR QUÊ?
E é isso. Nunca senti tanta pena de uma cobra em toda a minha vida.
A verdade é que adoro animais. E sentir aquele medo transformado em ira para nos defender e em seguida saber que a coitada, apesar de assustadora, só queria bisbilhotar, me deu uma pena!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cansei

Cacete!
Não gosto de falar da minha mãe, mas é necessário.
Voltei do passeio ontem.
E hoje de manhã já escutei a conversa de sempre: a loja está ruim, outra loja muito maior que a nossa está com a inauguração marcada para esses dias, praticamente não temos encomendas, preciso ajeitar a loja pois quem gosta de pobreza é intelectual... pelo menos hoje ela não destilou sobre sua insatisfação, tristeza, não disse que não aguenta mais e que não sabe como será o futuro da casa...
Talvez, hoje, finalmente, depois de quase vinte anos, o medo de a loja fechar em um ano talvez seja verdade, mas tenho sentido esse medo e insegurança há vinte anos, e isso é tempo demais.
O que tiver que vir, que venha.
PUTA MERDA!
Ainda bem que minha licença está acabando e recomeço a trabalhar na quinta-feira.
Basta.
Meu ouvido não é latrina.
Não estou questionando se o perigo é real ou não, é provável que seja real, mas faz um mês que escuto coisas negativas todo santo dia (na verdade, faz 18 anos, mas como há um mês estou de licença, voltei a ouvir todo dia). Hoje pelo menos escutei calada e a amargura não recaiu diretamente sobre mim! E somando com o que vivi isso é de derrubar qualquer um.
Basta!
Estou cansada de sentir insegurança e medo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fomos para a praia juntos, foi tão bom!
No domingo conversei e me abri sobre como venho me sentindo, isso foi libertador, me senti acolhida, entendida e amada. E voltamos à nossa sintonia, quando as almas se entrelaçam em perfeita harmonia.
Amo e sou amada, isso é seguro, reconfortante, macio e na temperatura ideal.
Minha alma é muito mais feliz com ele, o amor da minha vida.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Merdas


Desorganizada. Insegura. Essa sou eu ultimamente.
Não, eu não era assim, eu tinha mais bom humor, mais leveza. Tou com saudade de mim mesma, da outra eu, a mais leve?
Não, ainda estou descendo a ladeira, estou triste, e só. (talvez dramática também, mas essa sensação de tristeza e insegurança já vem durando um tempo).
Hoje a minha filha me disse que eu estou me tornando uma pessoa negativa, que quase sempre está de cara fechada. EU? Minha mãe muitas vezes é assim, EU NÃO POSSO SER ASSIM!
Eu não quero ser assim.
Mas no momento é o que sou. Alguma coisa que me acendia está com a pilha gasta, mesmo que só quem perceba seja quem realmente me conhece.
Acho mesmo que isso de insegurança começou com a descoberta da gravidez: sensação de alegria e insegurança misturadas.
No começo minhas dúvidas eram: engravidei gorda, será que virão muitos riscos? Estou com diabetes gestacional! Eu e meu noivo não temos condições de morarmos juntos, como criaremos nosso filho em duas casas e ainda precisando morar com nossos pais (mesmo sabendo que eles, nossos pais, ficaram muito felizes)? Como arcarei com as despesas de mais um filho? Foram essas e tantas outras abobrinhas na cabeça.
E agora, depois que o perdi o bebê com oito semanas, vejo que tudo acima era bobagem e seria resolvido com calma. Vi que o dinheiro que recebo jamais nos deixaria morrer de fome, mesmo que passássemos aperto e que meu filho não tivesse um pai presente (o que teria).
Isso de perder um bebê mexeu muito comigo, mexeu numa certeza que eu tinha: a minha capacidade de ser mãe, de ser uma boa mãe. Esse acontecimento me deixou mais insegura, quanto a minha capacidade de engravidar de novo (sei que posso, mas sinto medo), fez a minha idade pesar (mesmo sabendo que 20% das gestações acabam dessa forma).
Sinto insegurança que está fora do normal.
Voltou até o medo que meus pais morram ou que envelheçam e eu não possa ser amparada e nem possa no futuro ampará-los! Um medo que me acompanha desde pequena e que há vinte anos minha mãe preconiza que não está mais aguentando trabalhar na loja! Vinte anos de medos e receios que até podem se concretizar, provavelmente um dia se concretizarão, mas que até agora ainda não aconteceu.
Sei que tenho batalhado para funcionar, e tenho conseguido. Mesmo triste e insegura continuo fazendo tudo que é necessário: estudando, caminhando, indo para a hidroginástica, cuidando da monografia, namorando, sendo mãe, fazendo dieta, emagrecendo.
Não consigo sentir o mesmo prazer que sentia ao fazer cada atividade, as vezes até consigo, mas tenho me esforçado para conseguir.
A compulsão me visita as vezes, mas tem sido mais fácil lidar com ela. Estou tomando remédio para diabetes, não posso me dar ao luxo de ficar sem pernas ou até cega, como ficou meu avô (estou sendo dramática, eu sei).
Hoje à tarde meu noivo e minha filha se desentenderam. Nada do outro mundo, mas isso me deixou triste e confusa. Sei que se gostam e se respeitam, mas há muito tempo que digo a ambos que muitas vezes a brincadeira entre eles é demasiada, e que um dia um se magoaria com o outro.
Sobre o desentendimento entre eles, eles mesmos têm culpa. Não me cabe interferir.
Sobre o desentendimento dele comigo, ambos temos culpa. Ele reclama que não temos privacidade, o que muitas vezes é verdade, minha filha diz que não baterá mais na porta do quarto e que não entrará mais quando estivermos juntos, que fazia isso porque gostava de estar junto da gente. Cabe a todos encontrar um meio-termo, mas isso vai levar um tempo. Todos, nesse caso, estamos chateados. Ele desabafou e foi embora. Conversei com ela, que ficou chateada e disse que não entrará mais no quarto quando estivermos juntos. Acho que o meio-termo virá com o tempo, assim eu espero.
Nada do outro mundo, só a mesma merda de sempre. Ou quase sempre.
A porra da terapia, que faltei semana passada porque tinha médico; que não teve essa semana porque a terapeuta está viajando; que não terá semana que vem porque na quarta será feriado, não está adiantando de merda nenhuma.
Amanhã já estava tudo pronto para viajarmos para a praia, espero que ele ainda queira ir. Se ele não for eu irei assim mesmo, sozinha. Nunca fui sozinha e espero não precisar ir, mas se ele não for, pode ter certeza de que ficar aqui para trabalhar amanhã eu não vou.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Minha mãe hoje

Já sei o que vou conversar amanhã na terapia, serão duas coisas:
1) A sensação de insegurança que me acompanha, principalmente de manhã. E olhe que eu a tenho enfrentado todo santo dia, faço questão de funcionar bem e enfrentar meus medos, então, quanto tempo essa merda ainda vai durar? Não sei, discutirei isso amanhã.
2) Falarei sobre minha mãe, conviver com ela está foda. Está PHODA! (isso mesmo, com ph maiúsculo). Ela chega em casa já batendo a porta e depois a grade, logo em seguida é só esperar que ela irá reclamar de algo e irá destilar veneno para todos os lados.
Se você ficar calado e ouvir suas reclamações se sentirá muito pesada mas tem mais chances de sair sem ser diretamente atacada. Se você experimentar falar alguma coisa, mesmo que seja para tentar apaziguar seu ânimo, é o suficiente para ela se voltar contra você (eu, no caso).

Não é necessário que você faça alguma coisa para que ela destile seu veneno para todos os lados.
Está difícil. DIFÍCIL.
Só há espaço para a dor dela, tudo mais ao redor desaparece. Não fica um mínimo espaço para que você se sinta, também, acolhido.
Não vou apenas falar mal dela, sei que sua vida é dura e que ela está cansada, apenas não acho justo que todos percam seu espaço e se anulem para que ela passe com a dor dela.
Não tenho inveja ou revolta, não se trata disso, apenas não acho justo que ela seja só sorrisos para seu neto predileto e que esconda toda a sua dor da minha irmã e do seu genro, e que por trás destile sua dor, veneno e revolta contra quem está mais perto.
Estou cansada disso.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Aniversário de namoro

Ontem completamos dois anos e cinco meses juntos.
Viajamos com minha sogra, meu cunhado, e também o ex-marido dela para uma cidade próxima onde ela tem um chalé de campo, foi muito legal. Tomamos banho de piscina e fizemos amor.
No sábado à noite ele chegou aqui em casa com rosas (lindas) e me levou para um passeio de catamarã. Tudo tão bonito e romântico!
Ter a certeza de que nós dois estamos juntos e assim queremos permanecer é uma sensação deliciosa de não estar só, de segurança, de amor maduro e consolidado, de cumplicidade, de estar juntos por prazer em estar, sensação de ser mais forte.
Amanhã ele começa um curso à noite, eu voltei para a hidroginástica e consegui voltar a emagrecer, pois apesar da dieta a perda tinha estacionado.
Durante esta semana e meia que ainda tenho de licença estou tentando fazer o projeto de pesquisa, isso é estressante, mas estou fazendo o possível para encarar com tranquilidade e sem me descabelar e ficar ansiosa. É isso, agora tenho que continuar essa tarefa chata.

sábado, 1 de outubro de 2011

Comecei a metilformina ontem, a médica disse que eu poderia me sentir mal e que se isso acontecesse diminuisse para um comprimido e só tomasse dois depois de uma semana.
Só senti um leve enjôo, nada mais. Geralmente não tenho reações adversas com medicamentos.
Voltei para a hidroginástica e ontem consegui caminhar três quilômetros. Ueba!
Meu pé esquerdo não está lá essas coisas, mas comprei e comecei a usar a palmilha para o danado do dedo em garra (calma aí, não tenho dedo de papagaio ou coisa assim, meu dedo está numa curvatura levemente diferente!), o que causa dor ao caminhar.
Ela passou exames, um monte de curvas não sei de quê após tantas e tantas horas de ingestão de dextrosol, acho que vou passar uma manhã no laboratório, tudo bem. Depois é voltar para ela e continuar o acompanhamento, só tomara que as consultas continuem com o preço de R$200, pois o preço original, de trezentos, fica salgado demais para o meu bolso (esse médica não atende por plano de saúde), mas é muito boa profissional e não vou deixar de me cuidar.
De ótimo também, é que o sangramento foi embora e nem precisei de curetagem.
Do que posso reclamar? Acho que de nada.
Obrigada, meu bom Deus e anjos amigos.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ESPERANÇA


Hoje as coisas com meu noivo voltaram ao normal. Ele me ligou, conversamos.
Eu me expliquei, ele se explicou.
Sei que muitas vezes ele não consegue manter controle sobre as suas mudanças de humor, também sei que mesmo com isso ele não deixar de estar ao meu lado e nem eu deixo de estar ao lado dele. Nós amamos, isso é fato que até as pedras confirmam.

Ontem ele estava de humor ruim, mesmo assim foi comigo comemorar o nascimento do meu novo e amado sobrinho, filmou, tirou fotos, fez de tudo para se superar.

É tão lindo ver uma nova vida começando pro mundo! E tão lindinho e perfeitinho! Uma graça.
Sem inveja nem nada do tipo, mas me deu uma vontade danada de estar grávida, de não ter perdido o meu bebê! E hoje de manhã tivemos outro nascimento, a ex-babá da minha filha teve seu segundo filho, uma menina, e nós fomos visitá-la e levar comidinhas gostosas para ela oferecer às visitas.
Lá no hospital conversei muito com minha prima que mais ou menos um mês antes também havia perdido um bebê. Nos entendemos, nos aconselhamos, muitas coisas aconteceram de forma parecida: tanto ela quanto eu não conseguíamos imaginar o bebê no futuro, e ambas acordávamos à noite para olhar se na calcinha havia sangue, ambos sentíamos um sentimento estranho em relação a estar grávida, era um tipo de medo ou receio, uma sensação de não estar tudo bem.

Ontem fui fazer a última ultra, não precisarei de curetagem, meu útero está com tudo certinho, não há mais nenhum restos ovulares (restos da gravidez que não evoluiu).
Amanhã irei à endocrinologista e ela passará metilformina, medicamento que controlará a glicose e ajudará numa futura gravidez.
Já recomeci a fazer exercícios, ainda poucos e devagar porque minha condição física não está boa, mas vou continuar e perseverar para emagrecer os 10 quilos necessários (já perdi 2).
Será que Deus e a vida me darão uma nova oportunidade de engravidar e que dessa vez a gravidez irá até o fim? Meu Deus e anjos amigos, eu gostaria tanto!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

CANSADA


Estava conversando com a minha filha, ela acha que saí fortalecida disso tudo que aconteceu. Por um lado eu também acho, também acho que estou enfrentando tudo da melhor forma possível.
Por outro lado eu me sinto mais insegura, tentando controlar ao máximo as variáveis que são possíveis, até de uma forma exagerada.
Com ele, meu noivo, ele está uma gangorra. Ele esteve ao meu lado em todos os momentos, é verdade, mas se me perguntarem se estou feliz, eu, hoje, diria que estou serena mas não estou feliz.
Sei que tudo pode mudar amanhã, mas essa instabilidade emocional dele é foda de suportar.
Ele diz que sou eu que gosto sempre de dar beijinhos, de ficar carinhosa o tempo todo, eu que sou feliz demais, me diz que sou eu que estou mais insegura e preciso de atenção o tempo todo e por aí vai.
Ele não está se suportando, e por tabela sobra munição para atacar a mim, que estou mais perto.
Na verdade, eu sou muito mais estável emocionalmente do que ele. Independentemente de mim ele é com ele mesmo uma gangorra emocional. Isso é cansativo e eu não posso negar que, hoje, estou cansada.
Ele não está conseguindo controlar a compulsão, voltou a ter ansiedade pra lascar, um dia está bem, noutro está muito amoroso, e no outro está calado e taciturno. Seria injusto não dizer que mesmo quando ele é completamente trancado ele tenta se fazer presente, mas é uma presença tão pesada! Mesmo que seja amado, não posso negar que sinto uma energia pesada perto de mim quando ele está trancado.
É como eu disse, não posso negar que ele esteve presente em todo o processo e que nós ajudamos.
Mas que agora eu estou feliz, não estou.
Eu preciso de uma certa estabilidade para funcionar bem, e isso não significa ver o lindo céu azul o tempo todo, apenas eu não costumo viver mal humorada só por viver, sem nenhum motivo para isso.
Eu: se não houver motivo para mau humor, estarei estável, geralmente bem humorada.
Ele? se não houver motivo para bom humor, estará na dele, numa espécie de limbo.