domingo, 16 de dezembro de 2012

Tava com saudade


Hoje, depois de tantos meses, deu vontade de vir aqui escrever.
Tantas coisas aconteceram!
Sim, eu voltei com meu noivo, ele amadureceu bastante, nosso relacionamento mudou. Hoje sei que ele não titubearia na hora de me posicionar como sua companheira.
Estamos bem, sim, gostamos da companhia um do outro e nos amamos.
Sem dúvida, essa separação foi necessária, sofrida e construtiva para que ambos soubéssemos da importância que temos um para o outro.
Sobre mim, estou bem, e melhorando. Descobri com ajuda da terapia e depois com uma consulta com a psiquiatra, que ultimamente vinha entregue à ciclotimia, sintomas leves de ciclotimia, que é uma constante alteração de humor, o que faz o portador (eu) ter um trabalho imenso para controlar os pensamentos negativos e ficar sempre no seu estado normal. E isso estava me desgastando, pois o meu estado normal é tranquilo (pelo menos na maioria das vezes) e até bem humorado, e eu vinha me cansando para não demonstrar a gangorra emocional em que vivia.
Comecei um medicamento estabilizador do humor, e hoje, depois de dois meses, estou me sentindo de volta a mim, isso é reconfortante!
Engordei muito, entrei na natação e estou tentando voltar a controlar o apetite mas estou perdendo a batalha, isso ainda é um grande problema, a compulsão está à solta, mas vou batalhando.
Daqui a alguns meses a loja de meus pais será desapropriada para a construção de um túnel, por causa da copa, e ganharei um apartamento ou uma casa para morar com minha filha. Eu temia tanto isso, durante muito tempo senti medo dessa separação. Hoje estou ansiando por isso! Sei que levarei uma vida apertada financeiramente, mas desejo isso demais. Não vamos passar fome ou deixar de ter um plano de saúde, então, o resto apertaremos e será muito, muito legal. Meu noivo virá aos poucos morar conosco, e eu concordo e até pedi para que isso aconteça aos poucos, tanto eu quanto minha filha precisamos de um tempo para nos adaptarmos a nossa nova vida. Ela sempre desejou que isso acontecesse, e agora mais que nunca, eu também.
TEREI A MINHA CASA!!! E isso será muito bom!
Acho que na verdade eu tinha cansado de vir aqui apenas para desabafar tristezas, passei até a me sentir culpada por vir aqui para fazer aquilo, e finalmente agora que estou "entrando nos eixos", no meu eixo, voltei a ter vontade de guardar um pouco da minha vida aqui.
Estou feliz e tranquila e confiante, e esses são os melhores sentimentos que qualquer pessoa pode sentir, eles trazem fé e esperança.

domingo, 17 de junho de 2012

Esperança e Recomeço

Há duas semanas pedi para voltar. Ele aceitou imediatamente, ainda bem.
No começo ficamos ambos inseguros, com um pouco de medo, nos medindo, tentando entender o que aconteceu e chegar a um consenso, conversando, e ao mesmo tempo veio uma imensa vontade de ficar juntos, uma necessidade visceral de fazer amor e estar juntos fisicamente e emocionalmente.
Ao mesmo tempo aceitei o que ele me propôs, entramos na terapia de casal. Fomos à primeira sessão e foi interessante, chegamos lá completamente apaixonados e saímos um pouco ressabiados, passamos uma meia hora para voltarmos ao normal. A terapeuta disse que era importante deixar os sentimentos ruins lá mesmo, no final da terapia, e assim tentamos fazer. E assim estamos nos entendendo mais, nos respeitando mais.
Eu estava conversando com uma tia da qual eu gosto muito, ela é espírita, e eu já vinha conversando com ela há muito tempo. Meu sentimento é de que espiritualmente encerrei totalmente minha dívida com ele, e esse sentimento é tão claro! Deixei de sentir a vontade maternal que eu sentia de protegê-lo e cuidá-lo, e supri-lo mesmo quando isso me prejudicasse. Hoje existe o amor mulher x homem, o amor maternal foi embora.
Vivemos intensamente esses três anos, e de agosto a dezembro do ano passado sofri dois abortamentos espontâneos e em função disso fizemos exame de cariótipos. E esse exame, que mostrou alteração genética no cariótipo dele, serviu de libertação e explicação para quase tudo o que ele vinha sofrendo e sentindo ao longo de toda a sua vida. E também serviu de arma para batalhar na justiça por algo que ele sempre se culpou. E ainda para ele conseguir se posicionar perante a mãe.
E depois de tudo isso, depois de tanto sofrimento em função desses dois abortamentos e do que vinha acontecendo, simplesmente meu amor maternal foi embora.
Hoje o sinto e o vejo como um homem, o homem que eu quero em minha vida. É claro que existem outros homens e outras mulheres, e ambos acordamos para isso durante esse mês em que ficamos separados, mas queremos ficar juntos, nos amamos.
E que dê tudo certo, assim queremos, assim pedimos proteção e força a Deus e aos anjos amigos.
Obrigada por tudo, meu bom Deus.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Tristeza

Hoje estou com muita saudade, está muito difícil não pedir para voltarmos.

É uma saudade doída, que machuca e não me deixa em paz.

Acho que a mágoa e o medo que eu vinha acumulando até agora estão se dissolvendo e volto a enxergar o meu amor. Só que isso dói, é uma sensação horrível de falta, de querer junto. Mas como, por quê?

Para voltar para o mesmo ambiente, para sofrer as mesmas coisas, para me sentir diminuída de novo, para acreditar completamente e de novo ver que a visão dele não era a que eu acreditava, para ver de novo o meu lugar de companheira sendo esquecido? Para ser diminuída por ele, pela mãe dele? Para não ter meu espaço respeitado por nenhum dos dois?

Ultimamente temos nos falado, choramos juntos no telefone, hoje pela primeira vez não consegui me controlar e liguei deixando claro que estou me acabando de saudade, mas não consegui baixar a guarda ao ponto de admitir vê-lo, pois sei que inevitavelmente nós voltaríamos e depois, quando eu me sentir forte de novo, vou voltar a sentir medo de ser magoada e vou voltar a ficar na defesa.

Estou magoada, machucada, com medo, decepcionada. E se voltássemos agora sei que por um tempo, talvez até curto, tudo ficaria bem, mas em pouco tempo, no meio igual ao de sempre e nas mesmas condições de sempre, tudo voltaria a acontecer novamente.

Espero que esse afastamento nos amadureça, que o amadureça, que ele se torne um homem e deixe de ser um menino mimado, e que saiba acolher perante os outros a sua mulher, ao invés de deixá-la sozinha tentando convencê-lo a defendê-la.

O que acontecerá no futuro? Eu não sei, só sei que não quero passar pelo desamparo que senti, não quero sentir a decepção que senti.

E essa saudade e falta, que porra eu faço com ela?


quarta-feira, 23 de maio de 2012

dia 23 de maio

Ontem e esta noite foram difíceis demais.
Ontem eu estava muito cansada, de vez em quando tenho tido essa sensação de muito cansaço, estou investigando, até agora é puro estresse, mas fiz uma pesquisa de anemia do tipo alfa-talassemia e estou aguardando o resultado. A médica acredita ser estresse porque no mais tudo está bem.
Ontem foi o aniversário da minha filha, correu tudo bem, foi ótimo, e eu corri que só para organizar e arrumar e sair com ela.
Acordei muito tonta, tive uma noite péssima, cheia de sonhos ruins que não me lembro, com calafrios, e também saudade de Thiago.
Quebrei a dieta novamente, desde a nossa conversa de domingo eu me descontrolei, e isso é uma grande merda. Assim me descontrolo ainda mais emocionalmente e minha glicose se descontrola junto.
Domingo ele telefonou para dizer que estávamos fazendo uma grande besteira, e que me amava, e que daqui a algum tempo quando estivermos com alguém veremos que desperdiçamos o amor de nossas vidas, e também para me dizer que eu o abandonei no pior momento da vida dele. ele entendeu que eu simplesmente não suportava mais, eu não me vejo voltando para essa relação, dentro dos mesmos moldes, sem me destruir. E sinceramente não acredito que ele possa ter amadurecido em apenas uma semama.
O simples fato de ele reconhecer que o trato e tratei com respeito e carinho e afeto, mesmo quando acabei o relacionamento, mas mesmo assim me dizer que eu o abandonei no pior momento, demonstra infantilidade e até um pouco de egoísmo. E esse cobrança dele mexeu com meu lado maternal/fraternal, mexeu comigo porque sempre tento ajudar e não magoar ninguém, e inacreditavelmente me senti culpada mesmo sabendo que não sou.
Não acredito que ele amadureceu ao ponto de ele mesmo saber qual o meu papel em sua vida. Ao ponto de não precisar perguntar ao pai, à mãe e aos colegas de cursinho o que eu represento para ele, e olhe que isso tudo foi por causa de um mero convite. E em outro momento não me defender perante a mãe dele e o irmão, e chegar a me dizer que o irmão dele de 19 anos era novo demais para entender que éramos companheiros e não ficar com raiva porque não levaria a namoradinha. E tantas outras coisas que vinham me magoando, como me pegar toda pronta e em seguida querer me deixar em casa, como se eu fosse um brinquedo que ele não estivesse a fim de brincar no momento. Eu não suporto mais tanta falta de maturidade e insegurança e egoísmo. e olhe que tudo o que eu pedia era um posicionamento dele! Nunca pedi sequer que morássemos juntos, pois dificilmente teríamos condições financeiras, não pedi nada disso. Queria apenas ter sentido que ele capaz de agir conforme o homem da minha vida, conforme o homem que protege a SUA MULHER, como tanto ele me dizia que eu era. Era apenas isso.
Procuro racionalizar e entrar nos eixos, afinal, daqui a pouco sairei para trabalhar e precisarei estar bem.
No momento, tudo o que sinto é vontade de tomar um dorflex e 1 miligrama de rivotril e dormir e descansar, mas não é isso que vou fazer.
É hora de tomar banho para ir trabalhar. É hora de acordar de vez e parar de reclamar.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Enfim, só

É estranho estar sozinha. Há uma semana que venho me acostumando e me acupando para não enxergar isso. Mas até agora estou lúcida e relativamnte tranquila.

Até a semana passada, antes de tomar a decisão, estava tendo tonturas constantes e um tremor no olho esquerdo que faz com que ele quase se feche involuntariamente durante isso. Procurei uma médica: puro estresse. Estresse com tudo o que vinha acontecendo e me desgostando. Pelo menos as tonturas passaram, de vez em quando o tremor do olho ainda vem, mas eu não quis tomar medicamento algum.

Se continuássemos eu iria me destruir, perder o respeito por mim mesma. Cada vez que aceitava as coisas que vinham acontecendo eu me sentia diminuída, sentia até vergonha quando me via numa situação inferior sem que ele me defendesse. Ou quando ele chegava para me defender a pulso, muitas vezes utilizando o mesmo discurso de quando defendia que ele ou os outros estavam certos, e não entendia a minha revolta.

Não adianta buscar culpas ou culpados. Basta. É hora de simplesmente dividir as culpas, deixar diferenças de lado e tocar a vida para a frente.

Acreditei nesse amor, vivi esse amor, apostei nele imensamente. Não deu. eu não estava mais feliz e nem conseguia mais enxergar que as coisas mudariam.

Desejo de todo coração que ele continue batalhando e melhorando a si mesmo. Desejo de todo coração que ele se liberte e que se sinta desamarrado de tantas falsas certezas bobas que tanto o atormentaram a vida toda. Espero tê-lo ajudado nisso. E espero também me melhorar ao seguir em frente.

Deus te abençoe, meu lindo amor. Em frente, a vida é em frente.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Final do relacionamento

Acabou. Não estou feliz, mas estou aliviada.
Sei que não por maldade, mas sim por imaturidade e insegurança, ele jamais será o homem que preciso no quesito me proteger tanto quanto eu o protegia, e muito menos me apoiar tanto quanto eu o apoiava.
Depois de tanta confusão em razão do convite para ser padrinho, e cujo único desfecho foi ele pedir penico à prima até o fundo das calças aparecer por ter que declinar do convite, de ter me exposto aos colegas e de não ter me defendido, ficou acertado que ele iria ao casamento e eu disse que não iria. Pensei que apesar de eu pedir a ele para não fazer confusão por isso, ele iria arranjar uma forma de me defender - que o quê? Ele me pediu desculpas e ficou tudo por isso mesmo. Ele iria ao casamento como se nada tivesse acontecido e apenas eu não iria. E então racionalizei: que porra de papel eu estou fazendo?
Então, depois de tanta confusão, veio a maldita viagem dele, da mãe dele, e do irmão dele, no final de semana retrasado, aquela mesma viagem que ela, a minha sogra, havia me convidado diante de toda sua famíla, depois queria que eu pagasse a minha parte para poder ir (nada contra, se o convite não houvesse sido feito diante da família dela e se ela não tivesse dinheiro) para poder ir com eles, depois simplesmente acertou de viajar com os filhos sem me dar uma única explicação. E de novo ele concordou. E ele ainda me disse que eu deveria entender que não deveria achar ruim da mãe dele querer viajar só com os filhos!
E de novo me senti sozinha e desprotegida.

Bom, acontece que uma das minhas melhores amigas mora nessa mesma cidade que eles viajaram, e que outra amiga minha iria visitá-la e me chamou para ir junto, e chamou também a minha filha. E fomos. E nós dois combinamos que ele iria nos visitar, afinal, a casa onde eu ficaria ficava a menos de 2 quilômetros de onde ele estava com a família dele.
Na sexta à noite ele saiu com a família dele e me ligou umas 22h20, depois de chegar do passeio com a mãe dele , querendo ir até a casa onde eu estava. Eu disse que já estava tarde e que era melhor deixar para nos vermos no outro dia. Claro, porque eu iria recebê-lo quase onze horas da noite, porque?
Então ele me disse que nos veríamos no sábado pela manhã, e acrescentou: mas não ligue para mim, deixe que eu ligo, pois você acorda mais cedo que eu. Tudo bem.
Umas 9h30min ele ainda não tinha ligado, então saí com minha amiga e minha filha. Perto de 10h ele ligou querendo ir até lá, eu avisei que estava na rua e o chamei para almoçar conosco. Ele disse que não daria porque almoçaria com a mãe dele e com a família.
Então, à noite nos falamos e ele disse que iria para um rodízio com a família e que depois iria onde eu estava, e perguntou o que íamos fazer, e respondi:
- Vamos todos ficar em casa conversando, vai ter cachorro-quente e fondue, e eu disse que ficaria esperando ele chegar. E ele disse:
- Ah, mas o seu programa é só de comida! E eu vou sair com mainha, então, se não der tempo de ir até vocês, paciência...
- E eu respondi que ele não podia ser apenas filho, que ele não podia agir assim.
E ele deve uma ataque de raiva, me acusou de não entender que aquela era a primeira viagem dele com a mãe dele depois que ela começou o câncer, e que ele não era obrigado e se encontrar comigo e com meus amigos, e que só voltaria a me telefonar no domingo quando chegasse em casa.
Caí no choro na frente de minha filha e da filha da minha amiga. Mas depois tomei um banho e fui aproveitar a noite.
E conversei, e me diverti, e fiz os outros sorrirem. Quando fui dormir, perto de 1h da manhã, vi que 21h25min havia uma ligação não atendida dele. Não me importei.
No domingo de manhã ele ligou me dizendo que tinha ligado no sábado à noite para ir até onde eu estava, e que estava voltando de viagem com a família dele, e que por favor eu tomasse cuidado quando fosse voltar na estrada.

Juntei esses acontecimentos com as particularidades dele, como por exemplo vir me pegar em casa, eu entrar no carro toda pronta e de mala e cuia, e depois de deixarmos a namorada do irmão dele em casa, ele sondar se poderia me deixar em casa de volta porque está com vontade de ficar sozinho. Porra! E eu sou um pacote?

De outra vez me manda uma mensagem cheia de saudade na quinta-feira, mas na quinta uma amiga minha veio de viagem dormir em minha casa e não pudemos dormir juntos, então na sexta me perfumo e me arrumo, e ouço dele que ele quer ficar sozinho porque eu estou cansada porque trabalhei  e que não vou conseguir dormir muito depois de 22h30 ou 23h, e que assim ele não poderá usar o quarto dele e fumar lá dentro!

De outra vez havíamos discutido e eu fui até a casa dele para conversarmos. Cheguei lá, cumprimentei com carinho a mãe dele (com quem ele já havia dito que estava triste porque havíamos brigado) e fomos conversar no quarto dele. E não deu 10 minutos a mãe dele mandou o outro filho bater na porta do quarto para ele ir levar a namorada do irmão em casa! Estou errada ou isso é pura sacanagem e falta de respeito? E olhe que dizem que sou a única que até hoje ela respeitou!
E ele tenta constantemente comparar a mãe dele com minha filha, como se ele tivesse com a mãe as mesmas obrigações que eu tenho com minha filha! Nada a ver com a doença dela, nesse quesito é claro que ela precisa de total apoio. Mas não dar limites à própria mãe? Deixar que ela ocupe espaço dessa forma?

Ele tem respeito e carinho por minha filha que, de fato, é afável e educada. Só que ele algumas vezes sente ciúmes dela e da atenção, responsabilidade e amor que dispenso à ela. Deus meu, por que? 
"Quinhentas vezes" o avisei que o meio estava hostil demais para ele continuar agindo de forma egocêntrica e egoísta. Não adiantou. E por que é que o mundo dele desabou quando eu acabei???

Depois que ele chegou de viagem com a família no domingo, nós não nos falamos até esta quinta-feira. Então resolvi telefonar para dizer que tínhamos que conversar, e ele concordou que sim mas depois enviou uma mensagem dizendo que enquanto fóssemos repetir velhas fórmulas de procurar culpas e culpados era melhor não nos vermos!
Cansei. E acabei.

E na quinta para a sexta de madrugada ele entrou no meu quarto, ele tinha as chaves da casa, se acabando de chorar e dizendo que não estava entendendo porque eu havia acabado, que mudaria o que fosse necessário, que viajasse com ele na sexta, que precisávamos ficar sozinhos juntos, falava num desespero enorme, que esqueceria a mãe dele e a família dele, que eu era a sua vida, que não podia fazer isso com ele depois de haver prometido que envelheceríamos juntos, que me amava, que eu o amava, etc. E eu o acolhi com carinho, que de fato sinto, mas não consegui deixar o amor reaparecer. Simplesmente não consegui, e não consigo até agora. Não queria que ele esquecesse a famíla dele, nada disso, muito menos a ´mãe dele, e isso eu disse, queria apenas sentir que era a mulher dele como ele sempre disse que eu era, e como eu nunca me senti na hora de me defender de pessoas da família dele, da mãe dele e dele mesmo.

Constantemente relembro os momentos de intenso e total companheirismo, amor completo e irrestrito, e sinto saudade, muita saudade desse sentimento único que não está suportando a realidade.
Sei que sou amada, mas isso não é o suficiente. Amor exige ação, e ação apenas de uma parte cansa.
A gente apóia, apóia, apóia, e quando precisa de apoio não encontra?
Não sou madre Tereza, sou apenas uma mulher, com necessidades e sentimento de mulher.

Estou cansada. Não mereço isso. Não preciso disso. Essa é minha única certeza.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Me desencantando com meu companheiro

Passamos por muitas coisas juntos, é verdade, ainda o amo, mas começo a me desencantar de uma forma assustadoramente real. Mesmo sem querer começo a medir o quanto eu me dôo e o quanto recebo, e acho que estou em desvantagem. Estou perdendo a paciência em aguentar as grosserias desnecessárias e até mesmo a instabilidade emocional que me machuca. Não sinto raiva, sei que muitas vezes ele não consegue dominar , entendo isso como um problema de saúde, mas a verdade é que cada vez mais me sinto mal quando isso acontece embora saiba que depois ele me pedirá desculpa.
Um fato que aconteceu esta semana me magoou bastante. Não pelo fato em si, mas pelo desenrolar das coisas, que me mostrou um homem imaturo e inseguro, que para não desperdiçar um reconhecimento da família dele, o que ele precisa tão desesperadamente, não hesitou em me expor, em questionar meu papel junto a ele até para colegas do curso de fotografia, e achou que era necessário dissecar para esta prima o que eu represento para ele para então, contra a sua vontade, não aceitar ser padrinho de casamento dela.
Ele tem uma prima querida que se casará agora em maio na igreja católica, com todos os protocolos católicos. Semana passada ele recebeu um convite dela para ser padrinho de casamento e ficou exultante de tanta alegria. O fato de ela nem sequer ter pedido a ele para conversar comigo sobre ter chamado apenas ele, apesar de eu ser a mulher dele, como ele mesmo diz, me deixou chateada, mas mesmo assim dei os parabéns a ele e não pedi em momento algum que ele declinasse do convite.
Ele ainda questionou porque eu estava chateada, e eu respondi que todos os outros primos dele oficialmente casados iriam com suas esposas, e que eu havia sido descartada sem sequer uma explicação. Ele disse que isso era bobagem, que era uma imposição idiota, que nos tempos atuais é assim que se chamam padrinhos, etc.
Durante a semana ele perguntou ao pai dele o que achava, o pai dele foi categórico em dizer que isso estava errado, que o correto teria sido me chamar ou me dar uma explicação. Depois perguntou para a mãe dele, que não apenas disse que estava errado com também tomou a iniciativa de ligar para a prima dele e dizer isso, o que o deixou irritado.
Então, no mesmo cursinho de fotografia em que ele já havia me dito que falou pra turma:
- Quando eu saio daqui eu ligo para a minha mulher para contar a ela como foi meu dia.
Nesse mesmo curso ele foi perguntar para uns amigos sobre o que eles achavam. E como ele queria ouvir uma resposta diferente, deixei de ser sua mulher e virei sua noiva. E então eles responderam:
- ah, se é sua noiva, não tem problema, você pode aceitar o convite.
E então acredito que ele se sentiu na obrigação de reiterar:
- Mas nós íamos ter um filho, é porque perdemos a gestação...
E então seus amigos de curso responderam:
- ah, sendo assim não pode, deveriam ter chamado a sua noiva...
Quando ouvi essa explicação por parte dele para me dizer que havia tomado a decisão de declinar do convite, senti vergonha. Vergonha dele, da ação dele, vergonha de mim, por me ver dissecada para colegas de cursinho de fotografia. Tudo isso em nome de um convite que ele gostaria imensamente de aceitar porque precisa desesperadamente de algum reconhecimento.
Ainda assim não me mostrei revoltada. Então nesta segunda-feira ele me enviou uma cópia do e-mail que enviou para a prima, no qual ele explica porque não poderá ser padrinho de casamento dela. E aquela cópia mostrou claramente o quanto eu devo sentir vergonha da ação dele, e o quanto eu posso me indignar com isso.
- Naquele e-mail ele se abaixa até o fundo das calças aparecer. Ele disseca o nosso relacionamento numa longa explicação, que começa por: Querida Marcinha... eu não sou e e nem estou casado, mas apesar disso tenho com Luciana... e então ele se explica e se explica e se explica, sentindo uma necessidade de explicar nos mínimos detalhes porque terá que negar o convite em razão do relacionamento que tem comigo.
- E termina o e-mail pedindo encarecidamente perdão, pedindo que ela o perdoe, e deixando claro que é completamente contra aquele protocolo, mas que se vê obrigado a cumpri-lo.
Então ficou claro que receber esta cópia de e-mail significou que ele quis mostrar que fez o que os outros disseram, mas não o que ele queria, e isso ele deixa bem claro no e-mail.
E quando me revoltei por ter sido dissecada, por ele não ter tido peito de dizer simplesmente: - olha Marcinha, fiquei muito feliz com seu convite e bla bla bla, mas Luciana é minha mulher e não posso aceitá-lo... Senti vergonha da imensa explicação e justificativa que ele se sentiu obrigado a dar, senti vergonha de vê-lo se abaixando até o fundo das calças aparecer, e me levando junto nisso, hoje é isso que sinto, vergonha e revolta.
E quando eu expressei a minha revolta ele se voltou completamente contra mim, disse que eu me dizia aberta, mas que na verdade sou uma filhinha de papai tradicional até o pescoço, e que ele sempre iria contra essa sociedade que rotula ele de inútil e a mim de mãe solteira. E então me magoou de novo, entrou numa área que não pertence a ele, minha filha tem 18 anos e eu nunca precisei dele para nada, o conheço há apenas 3 anos.
EU FUI DESRESPEITADA PELA PRIMA DELE, QUE É CATÓLICA E SE CASARÁ NOS MOLDES CATÓLICOS, E AINDA LEVEI A CULPA DE NÃO SER ABERTA O SUFICIENTE PARA ENTENDER QUE É NATURAL QUE ELA TIVESSE CONVIDADO ELE PARA PADRINHO E ME DESCARTADO SEM SEQUER PEDIR PARA ELE ME CONSULTAR. E AINDA FUI ATACADA EM OUTRA ÁREA QUE NÃO DIZ RESPEITO A ELE, ELE ME ATACOU DE GRAÇA.
Estou cansada. Muito cansada.
Hoje de manhã iremos a uma consulta com a geneticista. Recebemos o resultado dos nossos cariótipos e o exame dele mostrou uma alteração genética que quase com certeza me fez sofrer os dois abortos espontâneos seguidos.
Quando recebi o resultado desses exames e vi que o meu deu normal e o dele deu alterado, fiz questão de demonstrar todo o meu amor, de dizer que não me importava, que se não pudéssemos ter adotaríamos, que não tenho nenhuma restrição em adotar. Ou seja, fiquei incondicionalmente ao lado dele, como sempre.
E numa merda de um convite para padrinho de casamento, no qual fui desrespeitada e sequer foi levado em consideração me dar uma explicação, minha relação com ele foi extremamente dissecada, explicada, para só então, contra a vontade dele, ele pedir encarecida e antecipadamente o perdão dela por se ver obrigado a declinar do convite.
Estou triste e envergonhada, e decepcionada. E pela primeira vez analisando realmente se é isso que desejo para o resto da minha vida.

terça-feira, 27 de março de 2012

SOGRA


Por sorte, depois de muitas batalhas, acho que consegui fazer o meu amor enxergar que não há culpa nenhuma dos filhos quando uma mãe é abandonada pelo marido, muito menos quando uma mãe passa a batalhar para garantir sozinha o sustento e a educação desses filhos. ISSO É UMA ESCOLHA DE MÃE, A ÚNICA OPÇÃO PARA UMA MÃE RESPONSÁVEL E CUJO EX-MARIDO E PAI DAS CRIANÇAS É IRRESPONSÁVEL. E os filhos jamais poderão ou deverão ser responsabilizados por isso.
Minha sogra diz que está com câncer e que já teve câncer porque não olhou para ela mesma, não se cuidou, e muitas vezes faz insinuações ou até afirmações mesmo, responsabilizando os filhos pelos cuidados que teve que ter com eles. UM ABSURDO! A VIDA DELA E A VIDA QUE ELA TEVE SÃO RESPONSABILIDADE EXCLUSIVAMENTE DELA. ELA TEVE DOIS FILHOS PORQUE QUIS, E DEVER DE MÃE É CUIDAR DOS FILHOS, E SE O MARIDO DELA A ABANDONOU É UM PROBLEMA EXCLUSIVO DOS DOIS, JAMAIS OS FILHOS SERÃO CULPADOS DISSO.
Sem falsa modéstia, jamais culpei minha filha pelos anos que dediquei à sua educação e ao seu sustento. Essa é minha obrigada de mãe. Se optei por ter filhos, eles são minha responsabilidade. Se vou vai colocar o pai delas na justiça ou não, isso é uma decisão minha, de mãe, e nossa separação é um problema nosso, jamais dos filhos. Nesse ponto sou extremamente maternal: que culpa as crianças que você optou por ter têm de seu casamento não ter dado certo? Que culpa os filhos tem das escolha que você mesma fez para sua vida? NENHUMA.
E fazer um filho se sentir em débito pelo que ela viveu? ISSO É DOENÇA.
Minha sogra, para mim, está mais doente da alma do que do corpo. É muita coisa torta!
Acredito que racionalmente ela me quer bem, e sinceramente tomo o maior cuidado de tratá-la com delicadeza e atenção, até mesmo porque esse normalmente é o meu modo de lidar com as pessoas. Só que essa instabilidade e essa disputa desnecessária dela para ocupar o meu lugar estão me cansando, talvez eu nem sinta mais raiva, o que sinto com certeza e clareza é enxergar a doença dela, e o quanto isso prejudicou e prejudica a vida de seu filho, meu amor. O quanto tenta prejudicar a nossa vida.
O que tem acontecido recorrentemente é ela me elogiar e me tratar bem na minha frente e na frente dos outros, e por trás batalhar ferrenhamente para me afastar, cobrando dele, xingando ele, apelando para artimanhas, tudo para que possa ocupar também o meu lugar, o lugar de mulher dele.
Acho que não tive muita sorte nisso.
Porra, se eu incentivo a harmonia da relação mãe-filho deles, porque ela me ataca, porque a maldita doença da alma dela prefere vê-lo submisso, culpado, empregado, babá, enfermeiro, marido dela? É muita loucura.
Na semana santa ela havia me convidado para irmos todos para uma cidade próxima. Ontem fiquei sabendo através dele que ela teve um surto (ou puro maquiavelismo?), que cobrou atenção dele e que me atacou dizendo que comigo ele até foi para o aniversário do filho bastardo do meu avô (nunca houve isso, e se tivesse havido, qual o problema?). Ele já não fica com ela a semana toda? E como resultado disso está fazendo o impossível para convencê-lo que precisa viajar sozinha com ele e com o irmão dele na semana santa. Isso mesmo, só com os dois. ISSO CHEGA A SER SURREAL.
Entendo que ela está com medo e com câncer, e entendo que essa doença da alma se multiplica com isso, e por isso tento ter toda a paciência do mundo. Mas até quando?
Enquanto meu amor estiver lúcido sobre toda esta merda que está acontecendo eu estarei firme e forte ao seu lado.
Por sorte esse problema todo nos pegou num momento em que estamos unidos, entramos na academia, tiramos o foco da comida e estamos querendo nos cuidar, caso contrário não sei como estaríamos.

domingo, 11 de março de 2012

De novo, tudo bem e no lugar!

Conversamos, nos entendemos e, como sempre, nos compreendemos.
Eu o amo e ponto.
Ele me ama e ponto.
Tudo o mais é administrável quando nos dispomos a conversar, um se põe no lugar do outro, nos escutamos, cada um cede um pouco ou reconhece que está errado.
E nossos mundos se reencontram e nós também.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Estou reflexiva. Esse final de semana que se passou mexeu muito comigo. Me senti humilhada, magoada, deixada de lado. E reagi com violência a isso, mais violência contra mim mesma do que contra qualquer outra pessoa.
Estou na retaguarda, não diria insegura, mas sim desconfiada, pronta para me afastar se sentir que isso de novo.
Ele mesmo chegou a conclusão de que nos finais de semana temos de nos afastar completamente da mãe dele, minha sogra.
Tenho consciência de ela está doente, não sinto raiva, mas a doença dela está muito além do câncer, é uma doença da alma.
E nesse triângulo amoroso e muitas vezes doentio, eu começo a me perguntar, qual o meu papel?

terça-feira, 6 de março de 2012

Inferno

Tive um final de semana infernal.
Pedi para ele me deixar em casa na sexta-feira à noite. Naquele momento eu o odiava.
Era um sentimento tão grande de descontrole que eu sequer conseguia raciocinar sobre isso, sobre o motivo de tamanho desespero.
Quando cheguei em na sexta ainda bem que só estavam meu irmão e sua noiva, pois meus pais e minha filha haviam viajado. Eu disse que não queria falar, que estava explodindo de raiva, e fui para o quarto.
No sábado eu não iria trabalhar porque havia dito que íamos viajar, então, para não ter que ir para a loja e por estar fora de mim, saí de casa logo cedo.
Cheguei ao shopping às 10h, na hora em que abriu, e andei até o meio dia. Meio dia entrei no cinema e saí perto das 14h. Andei até umas 16h30. Queria qualquer coisa que me fizesse companhia sem me incomodar, e desliguei os celulares assim que saí de casa.
Umas 16h50 fui me sentar na beira-mar para pensar e me acalmar. Comprei coca zero e uma carteira de cigarros, foram a melhor companhia em muito tempo. E fiquei lá até de noite, sentada, só tentando encontrar paz.
Saí da praia uma 19h e fui a um um supermercado. Saí desse supermercado e fui para outro.
Cheguei em casa para dormir eram 21h30, e tudo deu certo conforme eu queria: não encontrei ninguém em casa. E pude terminar de fumar os últimos cigarros da carteira em paz, sentada no terraço com meus cachorros.
Neste ponto eu já conseguia identificar o que estava me transtornando além do que aconteceu na sexta-feira. Me envergonhei e fiquei puta de ter contado com o dinheiro dos outros, e mais puta da vida ainda por ele ter perguntado se eu tinha sífilis, e isso trouxe à tona um sentimento há muito guardado escondido: me assaltou o sentimento de adolescência, quando aos nove anos nos mudamos de uma cidade na qual eu tinha muitos amigos, e fomos morar por um tempo dentro da casa de um tio rico, irmão de meu pai, e meu primo me batia, e eu ficava esperando que minha tia se lembrasse de mim quando comprasse um vestido novo para sua filha, me assaltou o sentimento de desamparo, de me sentir menor, diminuída, e isso me trouxe muita raiva, me trouxe ódio. Nesse meio tempo, no sábado à noite, eu liguei o celular e ele telefonou, disse que havia ligado o dia todo, eu respondi que ele mesmo havia dito que eu precisava de um tempo e que não estava respeitando isso, e quando ele insistiu eu gritei que me deixasse em paz.
Quando consegui me entender a minha primeira reação foi ligar para ele e dizer que tudo o que ele falou me magoou muito, mas que tinha sido superdimensionado por esses sentimentos de infância e início de adolescência. Só que quando liguei o celular já havia duas mensagens dele acabando tudo.
Não acreditei que ele havia feito isso, por mensagem, com uma arrogância e prepotência que eu ainda não conhecia voltadas contra mim. Então depois de muita discussão, ele disse que agiu assim como forma de defesa, e perto de meia-noite veio me pegar em casa.
Chegamos na casa dele e seu irmão de 18 anos pediu um tylenol porque estava com febre. Ele deu e fomos conversar no quarto.
Conversamos, nos abraçamos e nos acalmamos. Meu dia, que tinha sido um inferno, começou a entrar em equilíbrio.
Por volta de 1h30, quando começamos a fazer amor, a mãe dele bate na porta do quarto dizendo que o irmão dele está com febre. Ele disse que havia dado o remédio e que a febre era 39 e que iria baixar. Ouvi o escândalo dela: - Só 39? Ele pode ter uma convulsão! E, claro, chantageou dizendo que ligaria para o pai no menino (do qual ela também é separada) para ele vir de madrugada em função da maldita febre já medicada e sem nenhum outro sintoma.
Então, ele me pede desculpas e avisa que vai que colocar uma rede no quarto do irmão e ficar lá esperando a febre baixar.
Respondo tudo bem, espero ele sair, pego um cigarro dele, tomo dois miligramas de rivotril e vou fumar na varanda esperando o remédio fazer efeito.
No domingo de manhã acordo com ele me dizendo que levará o irmão ao hospital, pois continua com febre, e sem nenhum outro sintoma. Peço que ele me deixe em casa, a última coisa que gostaria era ficar no mesmo ambiente que a mãe dele. E menos ainda ficar esperando para quando ele tivesse tempo de ficar comigo. O irmão dele tem um pai presente, mas a mãe dele faz questão que ele faça as vezes de pai, e ele aceita como um cordeiro.
Disse a ele que depois ele fosse para a minha casa, que eu estaria dormindo mas que ele tinha as chaves.
Tomei mais um pouco de rivotril e acordei uma 16h e estranhei que ele não tivesse aparecido.
Liguei e o que ele me diz?
- Que não pode ir porque está esperando pra levar o irmão ao hospital para mostrar o resultado do hemograma ao médico. O pai do menino estava na casa dele mas ia para um jogo de futebol.
Estou imensamente cansada. Realmente estou cansada de ter meu espaço invadido e não respeitado. Nisso eu perco o respeito por mim mesma.
A mãe dele invade todos os espaços e ele deixa, não sabe o que fazer. E agora que ela está com câncer as cobranças e invasões estão no nível máximo.
Sinto que desde o começo ela me bombardeia de informações que denigrem a imagem dele para mim, não enxergo outro motivo além de querer que eu o abandone e que ele continue no papel de filho, pai, marido e empregado dela.
Realmente eu estou cansada. Ele, como sempre, enxerga as coisas e volta atrás, e pede desculpas e tenta corrigi-las mas, sinceramente, estou cansando.
Nessa batalha ele fica do lado dela, depois fica do meu lado, depois se volta contra mim, se perde, volta a ser capacho dela, sente culpa por ela estar com câncer, e uma série de problemas que se misturam e nos afastam.
Não sinto raiva dela, sei que essa fixação e cobrança sobre ele e essa inversão de papéis é uma doença, um desequilíbrio, mas isso tem afetado muito a minha vida.
Eu não mereço isso. Eu não quero fazer parte dessa relação doentia entre ele a mãe dele.
O primeiro passo que resolvi, por enquanto, e parar de me debater, quando me sentir invadida e desrespeitada pelas ações de qualquer um dos dois, simplesmente vou me afastar.
Sei que ele tenta desesperadamente delimitar limites, mas enquanto não consegue ambos vamos nos distanciando. E já não tenho mais certeza de que conseguirá.
É isso o que eu quero para mim?
Mesmo o amor tão imenso que sinto, que ele também diz sentir por mim, justifica eu suportar isso?
Espero com toda esperança que encontremos o meio-termo, que ele encontre o meio-termo, pois não há mais espaço que eu possa ceder sem perder o respeito por mim mesma, ou inevitavelmente e infelizmente, nos separaremos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Desgaste

Estou cansada. Literalmente cansada.

sexta-feira, 2 de março de 2012

EU SOU BURRA

Eu sou burra. Burra.
Acredito em contos de fadas e me estrepo.
BURRA.
Há muito tempo que não sinto tanta tristeza e descontrole na raiva. Hoje eu o odeio.
Há algum tempo que sabemos que precisamos fazer testes genéticos. E ele disse que se fosse necessário venderia até o carro.
A mãe dele falou que não era necessário, que ela pagaria os exames, inclusive comprou um carro novo para ele.
Ele disse que ela pagaria os exames necessários para ela ter um neto e ele um filho, e eu disse que não achava justo ela pagar os meus, eu disse que não achava certo e ele insistiu que era certo. Eu acabei aceitando.
Remarquei a médica para dois meses adiante, pois ela havia acabado de comprar um carro novo e ele não quis incomodá-la.
Hoje à noite ele me perguntou quando faríamos os exames, respondi que assim que ele pudesse. Então ele me perguntou:
- VOCÊ TEM O DINHEIRO?
Eu fiquei sem palavras e consegui responder que sim, mas que ficaria melhor fazer no próximo mês. Expliquei que como ele havia dito que ela pagaria eu não havia reservado dinheiro para isso.
Então ele disse que colocaria para ela pagar, que não estava lembrado do que havia dito. Eu disse que não se preocupasse, que eu não queria, e que no próximo mês eu poderia pagar o exame.
E ele disse que colocaria para ela pagar e que era orgulho bobo meu não aceitar.
EU SOU BURRA.
Mais adiante ele disse que havia conversado no paltalk (isso mesmo, no paltalk!) e que um cara havia dito que sífilis causava abortamentos.
E ele me perguntou:
- VOCÊ JÁ PEGOU SÍFILIS?
Puto de merda! Burro de merda!
Não, não. A burra aqui sou só eu.
Como o homem que se diz meu parceiro vem me perguntar se eu já tive sífilis?
Sífilis é uma doença venérea perigosa, geralmente ligada à promiscuidade da própria pessoa ou do parceiro. E é uma das primeiras doenças, junto com o teste de HIV, que uma gestante faz, isso faz parte do pre-natal.
Agora me digam, por favor, depois de fazer quinhentos mil exames e nada ser detectado, tanto que passaríamos aos testes genéticos, como um homem que diz que eu sou sua mulher vem me perguntar se eu tenho sífilis?
Definitivamente, eu sou BURRA.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pra frente! E com academia!


Quarta fui à endocrinologista, a que é particular, e levei para ela as dosagens de glicose do dia anterior. E de noite eu havia comido sushi, então minha glicose das duas horas após o jantar deu 150, um valor alto.
Segundo minha médica eu já posso ser considerada diabética e ela aumentou a dosagem da metilformina acrescentando um comprimido pela manhã.
Perguntei se ainda havia chance de um dia eu reverter esse quadro e graças a Deus ela respondeu que SIM! Mas para isso eu tenho que chegar bem perto do meu peso ideal.
Dos 10 quilos que engordei entre dezembro e janeiro em função do estresse que passei, já consegui emagrecer 7.
E hoje se iniciou um aliado que vinha sendo adiado: a academia. ADOREI!
Há três anos eu estava no meu peso ideal, e até hoje minha filha diz que as amigas dela diziam que queriam ser igual a mim, pois quando diziam que iam embora, eu respondia:
- Meninas, vou ficar mais um pouco e fazer a próxima aula de power bike também.
É estranho o quanto a gente se sabota, o quanto eu me sabotei durante esses dois anos em que abandonei o controle sobre a comida e deixei de lado os exercícios da academia.
Hoje pude voltar a sentir o quanto me faz bem! Voltei a frequentar academia e voltei a sentir prazer em fazer isso.
E isso é maravilhoso!
E mais, meu amor também frequenta a mesma academia e ficou hoje esperando para me apresentar ao pessoal. E nós dois estamos numa fase de mudanças para melhor e de busca do equilíbrio. E isso está nos fazendo um bem imenso.
Comecei hoje: 10 min de bicicleta, alguns exercícios para os braços, 20 min de esteira. E com isso me sinto mais ativa, mais viva e feliz.
Finalmente, com meu esforço, com a ajuda de medicamentos e com o apoio dos que amo eu consegui me reencontrar, e estou grata e feliz por isso.
Obrigada meu bom Deus e anjos amigos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval 2012


Redescobertas, paz, cumplicidade, prazer. Meu carnaval foi maravilhoso.
Cinco dias só nossos, cinco dias aproveitando a companhia um do outro, sem interrupções, sem outras pessoas.
Há algum tempo que não me sentia tão feliz e em paz.
Neste carnaval minha filha foi para a casa de uma amiga, bem próximo da casa do meu noivo, meus pais viajaram, a mãe do meu noivo viajou. Então pudemos ficar só nós e o nosso amor.
Passamos horas abraçados, horas nos fazendo carinhos, horas fazendo amor, horas assistindo filmes, deixamos o tempo correr lentamente e aproveitamos cada minuto.
E o meu medo de engravidar foi embora, entrei na segunda caixa de anticoncepcional e agora estamos seguros. E todo o prazer que sempre sentimos quando fazemos amor voltou com uma força enorme.
Eu o amo mais que tudo nesse mundo e em qualquer outro que possa existir (há apenas duas pessoas para quem eu digo essa frase: meu amor e minha filha).
Obrigada meu Deus, estou em paz.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Paz, afinal


Enfim, acho que me reconquistei de vez. Estou tranquila e satisfeita comigo mesma, estou em paz.
Meu mundo não está mais desnorteado. Me sinto bem novamente com meus pensamentos.
Voltei a conseguir dobrar a compulsão de modo que eu seja dona dela, e não o contrário.
Obrigada meu bom Deus e anjos amigos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Recomeço

Começo a me sentir bem melhor. Foram só os medicamentos ou foi a mudança, também, de postura? Os dois.
Isso de me sentir bem em mim mesma e redescobrir o prazer da minha própria companhia tem me feito muito, muito bem. E também mudei a minha postura em relação aos que me amam e me conhecem, com eles eu estou voltando a ser quem sempre fui: mais leve, mais alegre, mais confiante.
Estar saindo dessa depressão é um alívio imenso!
É aconchegante me sentir bem dentro de mim mesma, e me sentir bem com os outros naturalmente.
O remédio da compulsão também está funcionando, junto com a minha vontade de melhorar.
O remédio da depressão também está funcionando, junto com a minha vontade de melhorar.
Finalmente a etapa abortamentos, tristezas, depressão e compulsão descontrolada está indo embora.
Obrigada, meu bom Deus e anjos amigos, por me ajudarem a conquistar a mim mesma de volta.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Revelação a mim mesma

Não sei se é genética ou se foi algo em minha postura durante minha vida: essa característica de sentir tudo intensamente, de ser emotiva até a medula quando se trata de amor.
Quando sofro vou ao inferno, para depois descobrir que não era necessário 60% do sofrimento que senti e das coisas que imaginei.
Sinto muito, principalmente por mim e por ele.
Quando escrevo aqui tento ser o mais fiel possível ao que estou pensando e sentindo no exato momento. Sem me preocupar em escrever para alguém, escrevo para mim. E tento colocar na tela o que sou naquele instante. E depois que escrevo leio e releio, tentando encontrar saídas, tentando ser mais lógica, mais racional. E a vida sempre tem me mostrado que isso é possível. Pode não acontecer naquele momento, mas depois ele chega.
Em relação ao meu noivo, sempre é isso que acontece: eu o amo tanto, e sei que também sou amada, e fico muito passional quando por algum motivo nos distanciamos. E sofro, numa intensidade desnecessária.
Ontem saímos para conversar, expomos nossas diferenças e medos, e o resultado foi o de sempre: bastou tirar a pequena sombra que estava atrapalhando que o nosso amor aparece inteiro, e é imenso.
Na verdade, eu sei que sou amada, muito muito amada, mas sou insegura, isso é um de meus defeitos. E qualquer coisa que precise ser conversada, qualquer coisa que se ponha entre nós, me deixa insegura e duvidando do amor dele por mim. E isso está errado.
Há dois anos e tantos meses ele demonstra o seu amor por mim. E eu o amo.
E tenho que me acostumar que de vez em quando é normal aparecerem diferenças, e que discutir sobre o assunto, de modo a retirar, amenizar ou aceitar essas diferenças, são ajustes normais e necessários, e que isso não significa falta de amor. E que medir forças, até chegar a um consenso, faz parte. Isso é ser humano.
Obrigada meu Deus, e também anjos amigos, por me ajudarem a superar minhas dificuldades mais uma vez.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Noite

Há duas horas cheguei da casa de minha amiga. Foi bom.
Hoje à tarde não consegui dormir, e nem hoje de noite, já tentei me deitar e tudo que faço é chorar.
E o que mais gostaria é que essa imensa solidão, decepção e sensação ruim me deixassem esquecer e dormir. Mas não consigo.
Ele me enviou um e-mail dizendo que não está conseguindo chegar perto, pois não consegue escutar reclamações de que está ausente, mesmo sabendo que estou precisando dele perto, que não tem espaço para ser meu porto seguro, assim como não estou em condições de ser o dele. Disse também que neste momento as necessidades da mãe dele, reais ou fictícias, são prioridade.
Sei que a mãe dele precisa de atenção, entendo perfeitamente.
Apenas não estava preparada para ser jogada para baixo do tapete, para não incomodar e ficar quieta. Estou me sentindo descartável, descartada, uma mulher idiota.
Acreditava que num momento como esse nos apoiaríamos, que eu o apoiaria e ele abriria espaço para chegarmos juntos um do outro. Não é assim, simplesmente eu nem existo. E deveria ficar quieta no meu canto. Sem incomodar. Sem ser vista. Sem reclamar.
Construí uma fantasia, hoje vejo o quanto ela era frágil, embora me parecesse tão verdadeira.
Não há espaço para mim. A relação entre eles é completa, forte, sem espaço, doente, dependente. É uma relação de amor e dependência em que, fora os dois, só há sobras. E eu sou uma sobra.
Queria poder sumir, dormir, cair, esquecer, desaparecer de mim por um tempo.
Que idiota que eu sou.

Estou louca!

Eu estou louca! Doida, doidinha de pedra.
De noite, sozinha, sou uma pessoa que sofre.
De manhã, uma hora depois que acordo sou outra pessoa. A que quer viver.
Ainda bem que já comecei a tomar tarja preta.
Tomara que faça efeito logo.
Na verdade, há três dias que consigo não comer doces, e também diminui a ingestão de besteiras, por tabela, já que não vou comer açúcar.
Acho que hoje já dá para tentar comer bem menos, eu espero.
Agora vou sair e viver.
Cortar os cabelos, ir na costureira com uma amiga, deixar minha filha, e trabalhar.
De tarde vou dar um cochilo delicioso, se minha cabeça com pensamentos à mil deixar.
De noite terei um encontro na casa dessa amiga, juntamente com outros amigos.
Estou viva.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Solidão II

Não consigo mais acreditar no amor do meu noivo. Estou cansada.
Nesta fase, pedi para nos vermos pelo menos uma vez durante a semana. Há semanas que venho pedindo e dizendo isso sem conseguir.
Expliquei que preciso disso. Não adiantou.
Não deu, não dá, não dará.
Sinto por ele atualmente um amor angustiante, que não me deixa em paz, um amor de sentir falta, de precisar estar junto neste momento, e o que obtenho de volta é uma ausência total, atenuada apenas por telefonemas em que não consigo deixar de cobrar o que não tenho e me faz falta.
Não quero mais passar o domingo com ele, juntos e apaixonados, para depois nos afastarmos completamente, como dois estranhos.
Ou talvez quem esteja carente seja apenas eu, e por isso precise tanto dessa presença que não tenho.
Sei que a mãe dele está com câncer, sei que precisará de muita ajuda.
O tratamento ainda não começou, e fisicamente ela está ótima.
A mãe dele foi abandonada pelo marido quando ele e a irmã eram pequenos, e muitas e muitas vezes ela o coloca como substituto do pai que a deixou.
Ambos se dependem emocionalmente, e financeiramente ela dita todas as regras.
Em resumo, ele é filho-marido-enfermeiro-pai, dela. E agora mais que nunca assumiu todas essas tarefas juntas. E não sobra tempo para mais nada e mais ninguém.
Sei que sou respeitada por ela e sei que ela me quer bem, mas a verdade é que enfrentei resistência para ser namorada dele, depois enfrentamos resistência para ela reconhecer o noivado, depois enfrentamos resistência para ela aceitar que teríamos um filho. Até que dois anos depois, quando a possibilidade desse filho se concretizou ela festejou junto comigo e depois chorou comigo também a perda da gestação. Sobre isso não posso falar nada.
Mas a verdade é que ele foi preparado para ser o que é hoje, e aceitou. E não há espaço para outras pessoas. Não há espaço para mim.
Até quando estamos juntos ela telefona pedindo alguma coisa. Ela não dá espaço, e ele aceita isso com naturalidade, e me afasta e se afasta como se isso fosse inevitável.
Se eu estivesse bem talvez não estivesse me importando em ser completamente posta de lado. Mas pedi ajuda, ele me disse que pedisse se precisasse, e eu pedi, e ele está me virando as costas.
Pedi para nos vermos um dia da semana à noite, além de nos vermos nos finais de semana. Expliquei que estou precisando disso, mas não adiantou.
Se a mãe dele estivesse debilitada, se ela tivesse começado a quimioterapia, eu entenderia essa dedicação exclusiva, incondicional, irrestrita e sufocante. Mas não é o caso, e acredito que não será.
O que sei com toda certeza agora é que há alguém sobrando nessa relação, alguém esperando migalhas de atenção, alguém que se sente tratada como a amante que fica sempre a esperar, alguém precisando desesperadamente acreditar nesse amor. E infelizmente esse alguém sou eu, e infelizmente a cada dia vou me distanciando dele.
E vou criando barreiras para me magoar menos, e vou ficando mais sozinha.

Solidão I

Poucas vezes em minha vida me senti tão sozinha como venho me sentindo.
Eu não estou boa companhia para mim mesma, eu não estou me bastando.
Trabalho, converso e sorrio o dia todo e à noite, quando me tranco no meu quarto, tenho crises de choro, assustada com o tamanho da solidão que me acompanha.
Segundo minha terapeuta, esse processo dói, e dói mesmo.
Mesmo sem querer estou esmiuçando a minha vida, avaliando e que deixei de lado, o quanto poderia estar numa situação diferente. E avaliar, esmiuçar, enxergar que tive muitas grandes chances em minha mãos e as desperdicei por não acreditar em mim mesma, por me acomodar a seguir como uma ovelha o caminho indicado pelos outros, dói.
Espero depois de toda essa dor encontrar o fio da saída, espero traçar novos caminhos e segui-los. Ainda não sei como, mas sei que quero, e que vou.
Dediquei boa parte da minha vida à minha filha, amá-la e a tentar fazer dela uma pessoa mais forte e mais decidida que eu. E vejo que consegui, e isso me enche de tranquilidade porque uma etapa está se encerrando. Por outro lado, sinto sua falta, pois está pronta para viver sua própria vida, e o que me enche de orgulho também me traz um pouco da solidão que sinto.
Então é isso, aqui há duas solidões. Uma seríssima, a solidão que sinto comigo mesma. E outra natural, a solidão que sinto por minha filha estar caminhando com as próprias pernas.
Acabo de ler no orkut de uma amiga: casada, bem-amada e feliz!
Invejinha! Não dela, claro, mas dessas três características que estão me faltando.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Psiquiatra


Fui ao psiquiatra hoje de manhã logo cedo. Gostei dele.
Calmo, atencioso, marcou às 7h e chegou no consultório 6h45 da manhã. Fui a segunda a ser atendida, saí de lá umas 7h30.
Expliquei o que venho sentindo:
Insegurança.
Ansiedade.
Compulsão alimentar. Compulsão à mil, mesmo sabendo que deveria estar preocupada em sair da diabetes gestacional e sei que não estou fazendo nada para deixar de ficar diabética para sempre.
Falei para ele que tinha aberto a porta para a compulsão para que ela me ajudasse a superar a tristeza que andava sentindo. E, de fato, em relação ao meu ânimo me sinto relativamente bem.
Sábado voltei a trabalhar na loja de meus pais, mas tive um momento em que me isolei para chorar, pois era exatamente daquilo que eu estava fugindo: os clientes gostam de ser ouvidos (e eu sou um bom ouvido), me contam suas vidas, querem que eu participe de suas conversas e os ouça, e eu ainda não estava preparada para aquilo, para me doar, para ouvir, para sorrir e encorajar. É quase engraçado enxergar o quanto os clientes precisam de alguém que os ouça, mesmo que seja apenas no tempo em que esperam que recebamos a conta ou enquanto esperam alguém se servir. Mas não importa, terei que continuar indo e ponto.
Conversamos um pouco. Ele disse que o meu esclarecimento e consciência sobre o que está acontecendo é bom, mas que isso pode me ajudar, ou não.
É, de fato tenho consciência do mecanismo de auto-punição, auto-destruição, mas tenho mais consciência ainda de que não estou conseguindo desligá-lo sozinha.
Então, ele receitou fluoxetina 20mg, para tomar pela manhã, para ajudar a diminuir a sensação de ansiedade e insegurança.
E associou bupropiona, 150 mg, para tomar um comprimido após o almoço para ajudar a controlar a compulsão alimentar.
Os dois medicamentos irão aumentar as minhas despesas em R$100,00 reais por mês.
Vamos ver, vou pagar para saber a resposta.
Espero realmente que me ajudem, caso contrário, nem eu sei onde vou parar. Aliás, até sei, mas não gosto de enxergar esse futuro sombrio.
Vou batalhar junto com os medicamentos, vou apostar em mim. Eu espero.
Minha filhota linda amada chega hoje depois de um mês de merecidas férias na praia. Ela chegará feliz e vitoriosa pelo vestibular e é claro que eu fico feliz junto. Mas eu posso negar para todos, menos para mim: ela chegar agora, num momento em que me debato em minha neuras, me sobrecarregará. Ela vai chegar cheia de novidades e conversaremos durante horas, e durante algum tempo adorarei isso, depois, inevitavelmente, me sentirei dando mais do que posso dar neste momento. Ainda bem que virão as prévias de carnaval e tantas outras festas que a manterão ocupada enquanto eu organizo minha cabeça.
Não estou louca, só um pouco desequilibrada.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Um dia em paz

Na sexta à noite fui recebida com muito carinho e amor por meu noivo. Ter explicado a ele o que tenho sentido, explicar que não se trata de rejeição, e sim de depressão leve e ansiedade persistente, e fazer isso o trouxe para bem perto de mim.
E eu aceitei a ajuda, o carinho e o amor.
Ficamos juntos, assistimos filmes, namoramos, me senti segura, consegui dormir de tarde, relaxar da ansiedade e dos pensamentos negativos, e do medo e insegurança.
Ontem namoramos, ficamos abraçados, e me senti livre para fazer amor, me senti livre para sentir prazer e dar prazer.
Ontem me propus a não comer comidas com açúcar, me propus a não deixar a compulsão me dominar. E consegui.
Saí para comprar uma calça para caminhar porque as que a costureira fez ficaram um pouco apertadas, comprei uma ótima, era a única na loja, mas está chovendo o final de semana inteiro e tentarei começar na segunda-feira, assim espero.
Obrigada e, por favor, me ajude a conseguir hoje novamente. Acordei, agradeci, afastei os pensamentos negativos, e estou aqui, um pouco ansiosa, mas em paz e cheia de boa vontade para começar um novo dia.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Depressão, eu? É, talvez. Sim.

Ontem conversei com meu noivo, pedi a ele que não se sentisse escanteado, que não é nada disso.
Expliquei que o que estou sentindo é mais forte que eu, que está acima de mim e não estou conseguindo controlar.
Ele chegou mais perto de mim, e está tentando adiantar a consulta com o psiquiatra, pois só consegui vaga para 15 de fevereiro. É muito longe.
Falei que vou precisar sim de antidepressivo, sozinha não estou conseguindo sair. E além disso a compulsão por comida está enlouquecida, quando chega à noite meus pés estão com bastante edema, acho que por todo esse descontrole.
Agora, enquanto escrevo, estou me sentindo bem, mas há pouco não conseguia me sentir em paz comigo.
Para quem só me conhece socialmente, e até para algumas amigas, estou ótima. Não estou.
Não consigo sequer fazer amor, me sinto tensa, não consigo sentir prazer, sinto medo de engravidar, mesmo com métodos anticoncepcionais.
O que mais me preocupa é esse mecanismo inconsciente de me desligar das pessoas que mais me conhecem, que sabem o momento que estou passando.
Meu pai está sobrecarregado com problemas da loja, mas sinto sua delicadeza comigo em pequenos cuidados, que na verdade ele sempre teve. E eu choro de noite, depois que me fecho em meu quarto. Tento, ao abrir a porta, aparentar normalidade.
Sobre minha filha, graças a Deus que está na casa de uma amiga na praia até o final do mês. Conviver com ela dentro de casa agora, toda hora tendo acesso a mim, ia ser difícil. Penso nela, mas não consigo senti-la perto, não porque não a ame, amo e muito, mas porque, mesmo sem querer, quero me distanciar.
Sobre meu noivo, que é a pessoa que está mais próxima de mim, me mostro e ao mesmo tempo sinto uma enorme vontade, quase irresistível, de me isolar dele. Preciso desesperadamente me prender a ele, mas minha vontade é só me manter distante.
É como se irracionalmente eu estivesse me distanciando de quem realmente me conhece.
Por que? Para que?
Não sei, estou muito louca.
Mas não me entrego a isso, eu espero que não. E daqui a poucos dias terei a ajuda de antidepressivo.
É isso.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Crise existencial


Vou, volto, saio do lugar e volto para o lugar de sempre.
Que porra eu tenho?
Ontem, na terapia, minha terapeuta me disse que eu tenho que encontrar o que me falta, o que eu quero. Sem me forçar, mas tentando me completar.
Não sei.
Eu disse a ela:
- Minha filha passou no vestibular da federal num curso concorrido, e isso me deixou feliz, mas não me completou.
- Cheguei no trabalho e fui tão bem recebida! Meus colegas foram almoçar comigo dois dias, me sinto plenamente aceita. Mas também não é isso.
- O problema não é no meu relacionamento, já acabei outros relacionamentos por esse mesmo sentimento em mim, mas eram relações que não valiam a pena, fiz certo em acabar. Não é isso.
- Estudar para um novo concurso e passar? Vai ser bom, mas não é só isso.
É ALGO MUITO MAIS PROFUNDO E ESSENCIAL.
Tenho me sentido sozinha, não quando estou acompanhada, mas principalmente quando estou sozinha comigo mesma. Minha companhia não está boa para mim.
Sinto solidão, falta. MAS DE QUÊ?
Sinto medo, medo de ficar completamente sozinha. Racionalmente sei que isso não vai acontecer, mas então porque me sinto assim?
Na terça fui com minha amiga e sua filha, cujo pai faleceu no sábado, comer caranguejo, eu disse a ela que podia beber o que quisesse que eu dirigiria. Rimos, choramos, nos divertimos, nos relembramos de seu pai. Acho que fui ótima companhia para as duas. E quando cheguei em casa me deu uma imensa tristeza porque ela vai morar em outra cidade, a duas horas da minha. Me deu uma sensação de perda irreparável e chorei de me acabar. Cheguei a ligar para meu noivo e minha filha ainda choramingando, os dois até acharam que eu tinha bebido e estava emotiva. Nada disso, é um vazio inexplicável.
Não estou suportando perdas. Mas também não é só isso.
Sinto vontade de nem sei o quê. Começo a identificar umas bobagens, mas ainda estou longe de saber o que mais tem nesses meus sentimentos.
Minha terapeuta conversou comigo sobre eu sempre aparentar serenidade e calma para os outros, sobre eu ser reservada e ser um excelente ouvido, que todos gostam de contar coisas a mim, que sei ouvir. Falou comigo também sobre minha reserva, sobre eu não me mostrar , sobre não contar coisas sobre mim, sobre eu, na maioria das vezes, ter me deixado conduzir pelos outros sobre o que deveria fazer, e sobre isso vir mudando de alguns anos para cá.
Ela acha que um dos pontos reside em eu estar tomando as rédeas da minha vida, de estar aprendendo a falar, a me impor, a deixar de apenas ser ouvido, sobre eu me soltar sobre o que sinto, sem ter medo. Sei que venho mudando sobre essas coisas. Antes, as pessoas com quem eu me abria eram meu noivo e, algumas vezes, com minha filha. Para outras pessoas eu apenas ouvia, aconselhava, deixava que dividissem comigo seus problemas e suas vidas, mas eu me colocava acima disso, como se não pudesse me expor, e ficava triste quando não era bem interpretada.
Estou tentando me abrir, mostrar minhas fraquezas, sem ser sempre tão ponderada, calma, sensata. Eu não sou só isso, e representar até para mim mesma está me cansando. Sou gente, amiga, ponderada, boa ouvinte, mas quero aprender a me abrir, a gritar, quero também saber enlouquecer. Mas também não é só isso.
Tenho uma sensação de perda não sei de quê, medo de minha vida passar muito rápido. Mas também não é só isso.
Minha terapeuta diz que, de fato, eu posso estar deprimida, eu disse a ela que marquei psiquiatra para ver se vou precisar de medicamentos, ou não, para sair disso.
Conversamos e expliquei que quando estou acompanhada, fazendo muito pouco esforço (e tenho feito bastante), participo, sou alegre, aceito e sou aceita com facilidade. Me sinto querida. Mas quando estou sozinha tenho que arranjar o que fazer para driblar o vazio e a tristeza, e também tenho tentado fazer isso.
Ela afirma que vê essa minha crise existencial como algo construtivo, como uma mudança interior que irá mudar as coisas exteriormente, e disse que sim, isso dói, e dói mesmo.
Ela me pediu para encarar e sentir, sem medo, sem cobranças, me aprofundando na busca de respostas, mas sem me forçar. Tenho tentado isso.
Em uma coisa eu discordo dela, ela diz que minha compulsão alimentar está em prol de tudo isso que estou passando, e eu concordo, mas acredito que a compulsão alimentar está além disso, ela se alimenta sozinha. Ela, por si só, é uma doença, independente da diabetes ou de eu estar deprimida. Ela, por si só, é o maior risco para a minha vida.
Acabo de ler, acho que pela primeira vez realmente me enxergando completamente nele, o primeiro capítulo do livro do CCA, que fala do primeiro passo. Ao ler, eu estava lá, o livro falava sobre mim. Assim como para milhões de comedores compulsivos anônimos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Nova etapa

Recomeço a trabalhar hoje, acordei antes da hora, estou um pouco ansiosa. Sei que não é necessário isso mas, como disse, esse adjetivo grudou em mim e não quer sair.
Hoje, lá no trabalho, vou almoçar com duas amigas, assim matamos a saudade e colocamos os assuntos (e também fofocas) em dia.
No sábado à tarde faleceu meu segundo padrinho, e pai de uma das minhas melhores amigas. Ele estava no hospital há mais de um mês e, na verdade, estávamos esperando que isso acontecesse, não agora, mas estávamos, ele tinha só 83 anos, mas estava bastante debilitado e com o nível de consciência baixíssimo, além de entubado, sondado, etc, e ele era, antes, muito ativo e presente, ele não suportaria se ver assim.
Passamos o sábado á tarde e à noite, e o domingo em função do velório e do sepultamento, consegui encarar com serenidade e um pouco de tensão esse período.
No sábado de manhã e no domingo de manhã, e também na sexta à noite, trabalhei intensamente na monografia, e no domingo à tarde meu noivo colocou nela todas as tabelas que eram necessárias. Então, no domingo à noite, depois de mostrar a monografia pronta para minha tia (ISSO MESMO, PRONTA!), e de ela modificar um parágrafo da conclusão, EU ENVIEI PARA MEU ORIENTADOR! Que alívio!!!
No domingo eu e meu noivo também arranjamos tempo de ficar abraçadinhos, foi muito bom, estávamos precisando disso. E no domingo à noite fui com duas amigas descontar toda a minha ansiedade em comida japonesa. Comi tudo e muito.
Hoje começa uma nova etapa, quem sabe também etapa de diminuir de novo a compulsão e me preparar para conseguir guardá-la na caixinha de novo? As calças de caminhar já estão prontas...
Bom dia a todos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Consulta à obstetra

Cada vez que lembro que minha filha passou na Universidade Federal dá um orgulho de vê-la feliz e com um excelente caminho a trilhar pela frente!
Hoje fomos à consulta com a obstetra, eu e meu noivo. Fomos conversar sobre o que aconteceu e sobre os passos a seguir.
A consulta foi demorada e esclarecedora, ainda bem. Acho que tirei as dúvidas que me deixavam tensa e ansiosa. Claro, não que isso vá me impedir de ficar tensa e ansiosa, acho que incorporei esses novos adjetivos e estou com dificuldade de me livrar deles!
Os dois abortamentos podem ter acontecido em função da minha idade, e nós até poderíamos tentar mais uma vez engravidar. Se acontecesse o terceiro abortamento aí sim, caracterizaria de vez problemas genéticos. Mas nós ficamos com a opinião de minha médica, que é igual à nossa, esperar por um terceiro abortamento para procurar causar é demais para todos, principalmente para mim.
Então, vamos investigar possíveis causas:
Primeiro eu farei exames de sangue, de rotina e também imunológicos(principalmente). Aqui, o plano de saúde cobre.
Ao mesmo tempo faremos, eu e meu noivo, exames genéticos do cariótipo, para tentarmos encontrar em um de nós dois traços genéticos que justifiquem os dois abortamentos espontâneos. Custará R$400,00 para cada um.
Como terceiro passo, procuraremos um determinado geneticista, que vem ao nosso Estado uma vez por mês. A consulta custa R$130,00, sem recibo.
Em seguida, como quarto passo, faremos (se uma causa não foi descoberta ainda nos exames anteriores), um exame aloimune, que ainda não sei quanto custa.
Um outro ponto importante, que tem a ver com a gravidez no futuro, é eu estar menos pesada. Levei um puxão de orelha da médica, que estou com ela há 19 anos, reclamando do peso que ganhei este mês.
Expliquei a ela que, entre continuar pirando, triste e depressiva, escolhi me segurar na bengala da compulsão, mas que o preço é engordar.
Ela entendeu e me mandou emagrecer assim mesmo, se eu quiser engravidar no futuro.
Bom, é isso.

Fera Federal!


Minha filha passou no vestibular de direito da universidade federal.
VIVAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Ver o esforço dela recompensado da um gosto!!!
E mais: saber que na universidade federal ela terá muito mais oportunidades de crescer na carreira que escolheu, uma universidade pública, gratuita e, de fato, de qualidade!
Na noite da terça ficamos nós duas assistindo seriados no computador até tarde, tentando enganar o tempo, pois o resultado sairia às 10h do dia seguinte.
E quando vimos sua aprovação demos pulos e gritos de alegria, chorei e ri ao mesmo tempo.
Parabéns, filhota amada!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Trechos

Estou terminando o livro de Ingrid Betancourt, na época acompanhei de longe e sem me prender àquilo, as reportagens sobre sua libertação.
Porque meu pai ganhou o livro que ela escreveu sobre seus anos de cativeiro, hoje consigo compreender o seu sofrimento e dor, e sobretudo o quão forte ela é.
Quero guardar aqui uns trechos que ficarão em minha memória:

"Alguns fatos são dolorosos demais para ser contados: revelando-os, nós o revivemos de novo. Temos então a esperança de que, com o passar do tempo, a dor desaparecerá, e que em seguida será possível partilhar com outros aquilo que vivemos e nos aliviarmos do peso de nosso próprio silêncio. Mas, volta e meia, quando não há mais sofrimento na lembrança, é por respeito a si mesmo que a gente se cala. Já não sentimos a necessidade de desabafar, e sim a de não arrasar o outro com as lembranças de nossas próprias desgraças. Contar certas coisas é permitir-lhes ficar vivas no espírito dos outros, quando o que afinal nos parece mais conveniente é deixá-las morrer dentro de nós mesmos".

"enquanto a mãe de Marc falava, reconheci a expressão dele, aquela dor da ausência que se transformava em beatitude, aquela necessidade de absorver cada palavra como um alimento essencial, aquela rendição final para mergulhar sem reservas na felicidade efêmera... porque as palavras de uma mãe são mágicas e penetram na nossa intimidade, apesar de nós mesmos".

" - Eu não acredito em Deus.
- Não faz mal. Ele não é suscetível. Pode chamar igual. Se Ele não responder, chame a Virgem Maria, ela sempre está disponível".

"Foi então que ouvi sua voz. Ele estava ali, a poucos metros de mim. Não podia vê-lo, mas o sentia. Era o cheiro dos seus cabelos brancos que eu beijava ao ir embora, toda noite. Estava de pé à minha direita, tão grande, tão sólido como uma daquelas árvores centenárias que me cobriam com suas sombras, tão grande, tão sólido como elas. Olhei em sua direção e uma luz branca me cegou. Fechei os olhos e senti as lágrimas escaparem, rolando devagar em meu rosto. Era sua voz sem palavras. Cumprira sua promessa".

"Voltei mais longe em minhas lembranças, e vi meu pai junto a mim, murmurando em meu ouvido: "Não há silêncio que não termine".
Não foram as perfusões que me curaram. Foram as palavras! Eu reencontrava a mim mesma, no meu jardim secreto, e o mundo que eu vislumbrava pela escotilha de minha indiferença me parecia menos insano".

Compulsão parte 1.000.000

Ontem não me pesei.
Ontem tinha pensado em ir caminhar de calça normal mesmo, não fui.
Ontem segurei a compulsão até umas 15h30, depois saí com tudo. E olhe que para segurar eu cheguei a cheirar longamente um bolo de chocolate, me senti uma alcoólatra precisando desesperadamente beber mas ainda medindo forças com o desejo irrefreável. Consegui segurar por um tempo, depois atolei o pé, não, me atolei inteira na compulsão.
O restante... deixa ver o que restou...???
AH! Sim, fiquei de bom humor!
Pensei em coisas positivas!
Conversei e sorri com minha filha!
É, diria que o dia ontem foi 50%. Cumpri 50% do que desejava. E, como diz minha filha:
- Para quem não tinha nada, a metade é o dobro!
Tá, sei que estou brincando com coisas sérias, mas por acaso se eu ficar séria eu cumpriria o que preciso com mais afinco? Não, então, é melhor descumprir sorrindo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

INÍCIO DE 2012

Meu ânimo já melhorou bastante!
O meu problema agora é a compulsão, ela está um trem desgovernado e me colocando em risco. E olhe que não estou falando apenas em minha saúde, estou falando em minha própria vida.
Vou tentar enxergar algumas coisas positivas para reafirmar que estou agindo, e sei que estou, no sentido de sair desses sentimentos negativos.
Primeiro, o que estou fazendo de negativo?
- Estou comendo desenfreadamente, principalmente doces, e estou com diabetes ainda gestacional.
- Já engordei quase tudo o que perdi, uns 8 quilos, eu acho. Tenho que me pesar hoje para enfrentar.
- Estou me achando velha, estou em crise com isso.
- Me boicoto nos sonhos, me vejo inferior, em situações em que sou escanteada.
- Nos sonhos as outras mulheres são mais bonitas e interessantes que eu para o meu noivo. Também coincidiu que descobri que ele andou olhando suas ex-namoradas no facebook. (sei que isso soa idiota, afinal, nós também não olhamos? No orkut eu já procurei sim e já olhei, mas isso quebra um pouco o sonho, a fantasia idiota que todos nós gostamos). Talvez esses pensamentos não sejam tão idiotas, 1/4 dos casamentos na Europa terminam por causa de descobertas de conversas em redes sociais, o que não foi o meu caso.
O QUE ESTOU FAZENDO PARA ENFRENTAR OS MEUS MEDOS?
- VENHO ME FORÇANDO PARA MELHORAR A CADA DIA MEUS PENSAMENTOS E AÇÕES, E ESTÁ FUNCIONANDO,ONTEM MINHA FILHA PERGUNTOU, EM FUNÇÃO DO MEU JEITO PRATICAMENTE NORMAL, SE JÁ TINHA PASSADO A MINHA TRISTEZA.
- PROCUREI MINHAS AMIGAS E VOLTAMOS A NOS ENCONTRAR, FOI COMO SE NÃO TIVÉSSEMOS NOS AFASTADO. ESTÁ SENDO ÓTIMO.FALTA ENCONTRAR APENAS UMA AMIGA DA QUAL ME AFASTEI MUITO, E FAREI ISSO AINDA ESTA SEMANA.
- MINHA FILHA VOLTOU DA PRAIA POR UNS DIAS, E APESAR DE ELA TER ME MAGOADO (e eu também a magoei, mas não na mesma intensidade), ENTENDI QUE ELA NÃO TEM MATURIDADE PARA ENTENDER A PROPORÇÃO DAS COISAS QUE FALOU. AGI COMO ADULTA, SEGUREI A VONTADE DE COBRAR DELA SOBRE O QUE ME DISSE, E ESTAMOS NOS DANDO MUITO BEM.
- FUI NA COSTUREIRA ONTEM E PEDI URGÊNCIA PARA PELO MENOS UMA DAS CALÇAS DE CAMINHAR, AMANHÃ ELA ME ENTREGARÁ. E PRETENDO COMEÇAR AMANHÃ OU QUINTA A ANDAR.
- ESTOU FAZENDO A MONOGRAFIA, ESTA SEMANA ELA FICA PRONTA PARA REVISÃO.
- TIVE UM FINAL DE SEMANA DE MUITA INTIMIDADE, AMOR E COMPANHEIRISMO COM MEU NOIVO, ESTOU TENTANDO EVITAR PENSAMENTOS NEGATIVOS EM RELAÇÃO A NÓS DOIS.
- HOJE (ESTA É A PARTE MAIS DIFÍCIL) TENTAREI NÃO COMER BESTEIRAS. TENTAREI COM TODAS AS FORÇAS.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Compulsão à toda

Estou bem, apenas sinto medo. E insegurança.
Hoje de manhã não prestei atenção e tomei o remédio da diabetes que deveria tomar à noite, fiquei estressada e com medo.
A sensação de estar deprimida está indo embora, embora ainda sinta sua respiração em meu pescoço.
Ontem ganhei flores, e tivemos um jantar legal, legal? É, legal. A nossa sintonia está legal. Legal é legal, é bom? É, é bom, não ótimo. Estou com saudade de me sentir animada, viva, sem problemas para resolver e me preocupar, e sem estar envolvida nos problemas dos outros. Alguém vive sem problemas? Acho que não, aí estaria morto. Então, gostaria de estar com problemas mas ao mesmo tempo não deixar que eles me dominassem, gostaria de me divertir, de sentir leveza, de sair com amigos, mas eu fiz isso ainda esta semana e na semana passada, eu saí com amigos! Então eu sou uma idiota louca.
Mas a compulsão está à toda. Completamente instalada, nem parece que há meses, pelo menos cinco meses, ela vinha controlada.
ELA PARECE UMA LOUCA DESVAIRADA QUE ME DOMINA. A COMPULSÃO.
E está saindo a tristeza e entrando a baixa auto-estima e a insegurança com a minha imagem e com a minha idade e com medo de não ter dinheiro suficiente para arcar com as despesas do mês, e de não ter dinheiro para fazer o tratamento para ver o que houve com as gravidezes, etc, etc, e e outras tantas merdas que minam minha sensação de segurança e auto-estima.
ISSO É ASSUSTADOR! MINHA LOUCURA É MINHA CABEÇA, MEUS PENSAMENTOS.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

(Des) e equilibrio


Ontem à noite tive um sonho estranho, estranho e intenso, e bom. Só não consigo lembrar de tudo.
Lembro que estava muito bem com minha filha e isso me dava uma sensação tão boa! Era uma sensação de tanto companheirismo que eu não queria acordar.
Depois sonhei que tinha ido a uma psiquiatra e conversava com ela sobre eu precisar ou não de medicamentos para conseguir voltar ao meu estado normal.
Eu contava a ela que sentia que estava melhorando, mas que ao mesmo tempo estava instável. Num momento eu me sentia completa, sentia a unidade da minha vida e das pessoas que dela participam, e me sentia bem e normal e com as emoções, coisas e pessoas no lugar certo. E num momento depois, sentia falta de elo entre tudo o que participa da minha vida, e me sentia extremamente sozinha, e que isso já não causava mais angústia, e sim mais e mais vontade de me isolar, e aqui abro parênteses para dizer que o livro "não há silêncio que não termine", de Ingrid Betancourt, está me fazendo uma companhia imensa nessas horas, e me ajudando a superá-las, mas é claro que o sofrimento dela foi infinitamente maior do que o que estou passando agora.
E eu conversava com a psiquiatra justamente se era melhor eu esperar mais para ver se superava sozinha isso ou se ela achava que eu devia tomar algum remédio. Só que acordei exatamente na hora em que ela ia me responder!
Hoje meu noivo almoçou comigo, e depois de muitas e muitas semanas sem poder e sem dever por causa da gravidez e, agora no final, depois do abortamento, sem eu querer ou ter vontade alguma, finalmente me soltei, senti vontade, e fizemos amor. E isso foi libertador, sem exageros.
Hoje à tarde o sangramento leve e demorado que já estava me exasperando, que me lembrava o tempo todo de morte, foi embora. Acho que fazer amor estimulou o útero a eliminar o que ainda havia, finalmente acabou-se.
Hoje à noite liguei para minha filha e fizemos as pazes, e me senti tão bem! Sempre quis que minha filha fosse mais dura que eu, e assim ela é, mas quando isso se volta contra mim é muito ruim, embora eu não deixe de sentir um certo orgulho dela. Contei com detalhes um fato que aconteceu hoje, e assim voltamos a fofocar e sorrir e conversar. Claro que rimos muito das reações, mas isso depois do susto:
Eu estava em casa fazendo a monografia quando chega um funcionário da loja gritando por painho dizendo que ligaram para minha mãe dizendo que me sequestraram e que estão com um revólver na minha cabeça.
Meu pai, que estava na sala, me chamou bem alto: - MULHERRR???
E eu:
- Oi pai!
E ele me conta rápido e sai em direção à loja. E troquei de roupa e fui atrás dele.
Quando saímos na calçada tem um carro da polícia com os dois policiais com armas em punho para me salvar, eles haviam sido chamados quando iam passando...
E meu pai disse: - Obrigado, mas foi um trote, é ela a sequestrada... e então minha mãe vinha na calçada: pálida, chorando. E eu me abraço com ela.
E todos os funcionários da loja também estão na calçada, alguns choram também. E eu me abraço também com quem está chorando e digo que foi só um trote.
E as pessoas passam e perguntam o que foi, e dizemos, e eles dão graças a Deus (e nós também).
E depois de muitos e muitos copos de água com açúcar para acalmar todos, começamos a rir das reações:
- Um se trancou no banheiro de trás para ligar para a polícia.
- A secretária daqui de casa fechou a casa bem rápido sem entender o que gritavam.
- Minha mãe, que na hora de conversar com os 'sequestradores' fora dura, firme e tensa, chorava e ria contando a conversa.
E o melhor de tudo é que ainda na ligação disseram a minha mãe que eu estava bem e em casa, então deu tempo dela chamar todos os palavrões que queria e podia com os safados!
Hoje de noite resolvi sair e ir para a casa do meu noivo. Fiz uma tempestade num copo d'agua porque fui contrariada em minha vontade imensa de sair para comer sushi. Eu ia dormir lá e vim embora para casa, puta da vida. De fato, minha atual instabilidade está se chocando o tempo todo com a instabilidade habitual de vontades dele.
Eu estava crente que iríamos sair e estava contando os minutos. Ele foi enrolando, enrolando, por fim fez um sanduiche para mim e me chamou para assistirmos um filminho. Pronto, peguei minhas coisas e saí.
E imediatamente me senti isolada e sem unidade, e quis voltar para casa.
Mas já faz quase duas horas que isso aconteceu, e já consegui recuperar minha harmonia e unidade (isso tá zen demais!), já dá para ligar para nos entendermos.
Vou fazer isso agora.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ainda ontem minha filha foi viajar com a família da melhor amiga e eu sequer consegui me despedir no momento em que ela saiu. Eu precisava desesperadamente dormir. Quando acordei ela já havia ido.
Ontem de manhã saí com ela para resolver algumas coisas pendentes para que ela pudesse viajar.
Ontem no final da tarde, quando acordei, me senti horrível. E vi que estava descendo rápido demais a ladeira, então comecei a pensar numas quinhentas formas de reagir.
Peguei rivotril com minha mãe para usar à noite, meu pai me disse que rivotril não é o remédio correto para depressão. E eu respondi:
- Eu sei, pai, estou com psiquiatra marcado para fevereiro, mas acredito que daqui para lá eu já estarei melhor e não precisarei tomar remédio.
E liguei para meu noivo, e conversamos, contei sobre as dúvidas, medos e sobre a conversa que tive com minha filha. Ele me acolheu, me disse que fosse atrás dela, que recuperasse o que estava perdendo. E ao mesmo tempo me afirmou que amadureceu bastante nesse tempo que estamos juntos, o que é verdade. Me senti aliviada por nossa conversa ter sido de entendimento e acolhimento.
Minha filha é muito mais dura que eu, numa discussão ela raramente sai da posição de vencedora, e demora muito mais que eu a amolecer. Mesmo assim tentei ligar para ela mas não consegui entrar em contato.
À noite uma amiga me ligou, eu estava me esforçando para reagir e enxergar as coisas com esperança e por um lado menos obscuro. Ela me chamou para comer caranguejo, e foi a melhor coisa que pude fazer por mim. Sei que minha dieta anda uma droga, e que preciso desesperadamente voltar, mas ontem isso me aliviou muito.
Até agora ainda não comi besteiras, está "pau" segurar, mas vou tentando.
Hoje minha filha ligou, disse que não estava com o celular ontem. Tentei fazer as pazes, pedi desculpas, ela aceitou e falou pouco, de uma forma meio mecânica. Ela é dura, talvez demore bastante tempo para voltar ao normal comigo, talvez não, não tenho a menor ideia. Gostaria muito que ela perdesse mais rápido a defesa desnecessária, mas não posso fazer além do que já fiz.
Paciência.
Acho que estou conseguindo me segurar sem descer, e isso já requer um grande esforço.
Por enquanto, é o que posso fazer.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

constatações

Minha filha tentou conversar, não conseguiu acesso a mim. Estou sem vontade e sem ânimo de qualquer diálogo. Estou magoada.
Tento me compreender e não consigo, só consigo chorar e chorar.
Ela tentou me dizer que só falou porque eu insisti e perguntei, e tentou explicar que aquela era a opinião dela, o sentimento dela, e que não era a realidade, a minha realidade, tentou me mostrar que ela falou apenas da percepção e dos sentimentos dela, e que ela me apoiaria em tudo o que eu precisasse. Que me apoiaria em tudo, sempre, mas que ela tinha o direito de ter opinião própria, e que a opinião dela não era a realidade estabelecida, que era apenas a versão dela.
Tentamos conversar, minha vontade é apenas me distanciar dela.
A minha vida, vista sob a ótica dela, é muito feia e ruim.
Ela me disse ainda que eu nunca havia dito que pensávamos em comprar um terreno ou uma casa, que eu nunca conto os nossos projetos. Eles existem mesmo?
Estou me sentindo só, uma solidão que dói, que dói e é feia.
Não sinto nada bom, só mágoa e vontade de me isolar. Dei graças a Deus por meu noivo não ter tido a ideia de passar por aqui hoje.
Minha filha disse que eu a estou desconhecendo, não é isso, eu já não estava bem, e ela me mostrou uma versão da realidade muito feia sobre a minha vida.
Me senti feia, invadida.
Achei que ela estava de cara fechada porque estava com algum problema e precisava de ajuda. Não imaginava que o problema dela era a minha vida.
Sou emotiva em excesso, estou triste, magoada e doída.
Normalmente, quando tenho um desentendimento, fico tentando chegar logo a um consenso, fazer as pazes. Não dessa vez, não consigo. Amanhã, graças a Deus, ela viajará de férias com a família da melhor amiga, conto as horas para isso acontecer.
Preciso de um tempo sem ela. Preciso de um tempo completamente sozinha, pena que isso eu não terei, gostaria que meu noivo também viajasse.